No Senado, Wagner justificou venda da Ebal a Augusto Lima: 'Era uma excrescência'
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu, em sessão realizada em 13 de maio, a operação que privatizou a Empresa Baiana de Alimentos e incluiu repasse, ao Banco Master, do cartão Credcesta pelo banqueiro Augusto Lima, ex-sócio da instituição de Daniel Vorcaro.
O senador e Lima foram alvos de fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, os vínculos de Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no esquema.
O Credcesta era uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários públicos e aposentados. O produto foi criado por Augusto Lima nessa operação de compra da Ebal e posteriormente levado ao Banco Master, onde constituía o principal ativo.
As falas de Jaques Wagner, durante sessão deliberativa, fazem parte de um discurso no qual o senador buscava associar o escândalo do Master a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato nas eleições presidenciais de outubro.
As declarações foram dadas no mesmo dia em que o site Intercept Brasil publicou uma reportagem sobre a troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro envolvendo o repasse de recursos para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Wagner usou o discurso para rebater vídeo em que Flávio buscava associar a gênese do escândalo à Bahia e no qual citava, além do líder do governo, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa - os dois petistas são candidatos ao Senado no Estado.
"Nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal", indicou o senador no discurso. "A moda sempre foi que o Estado tem que ficar com aquilo que é fundamental, com a questão estratégica. Pois, na Bahia - do PFL à época, depois do DEM -, nós tínhamos uma rede de supermercado estatal, com 250 lojas e três pontos de distribuição de alimentos, que virou, desculpe o termo, uma bagunça, com um prejuízo que era da ordem de R$ 80 milhões por ano. Então, nós resolvemos privatizar e privatizamos."
"Imagine, eu que sou de esquerda recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$ 80 milhões por ano", continuou. "Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio."
O líder do governo, no discurso, também citou uma linha do tempo para argumentar que a gênese do escândalo ocorreu no governo Bolsonaro.
Ele citou tentativas de Vorcaro de comprar o Master em 2017 e 2019 e diz que isso só se concretizou durante a Presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.
"Entre 2021 e 2024, e eu insisto, sob a Presidência - do Banco Central - de Roberto Campos Neto, indicado pelo dr. Jair Messias Bolsonaro, o Banco Central manda 25 ofícios ao Banco Master, pedindo essa ou aquela medida corretiva ou saneadora, que não foram feitas; mas também o Banco Central, à época, não pediu, como foi feito agora, a liquidação do banco", continuou o senador.
Wagner também afirmou que, até o final de 2024, o Master aumentou suas captações seguradas pelo Fundo Garantidor de Créditos de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões. "O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a Presidência do sr. Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro."
O líder do governo mencionou ainda uma medida provisória votada em 2022 e que autorizava o cartão a entrar no mercado dos aposentados do INSS.
"Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele... E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do Intercept, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro", afirmou.
"Eu estou querendo concluir só para dizer, presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ", indicou.
"Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todas pessoas que têm um nível de vida bastante razoável - como eu tenho, nada a reclamar -, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de senador", concluiu.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.