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Política

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No RS, apresentador de programa eleitoral de Luciano Zucco é alvo de ataques racistas

21 set 2026 - 19h21
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Resumo
Thiago Souza, apresentador da campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do RS, acionou a Justiça Eleitoral após sofrer cerca de 800 ataques racistas na internet, com termos escravocratas e ofensas físicas. A defesa solicitou que a Polícia Federal abra inquérito para identificar os autores por meio de registros de IP. A campanha de Zucco repudiou o episódio; o candidato possui histórico de votações contra ações afirmativas e prevê apoio pontual a quilombolas em seu plano de governo.

O apresentador Thiago Souza, que participa dos programas eleitorais de TV da campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do Rio Grande do Sul, registrou nesta segunda-feira, 21, uma notícia-crime na Justiça Eleitoral após ser alvo de centenas de comentários de cunho racista e discriminatório nas redes sociais. O caso foi distribuído à 1ª Zona Eleitoral de Porto Alegre.

Segundo a defesa, os ataques ocorreram após a participação de Thiago em uma peça da propaganda eleitoral da coligação O Rio Grande Pode Mais. Cerca de 800 comentários ofensivos foram identificados e reunidos na notícia-crime.

Entre as manifestações apresentadas à Justiça estão referências ao período da escravidão, associações depreciativas a animais e ataques às características físicas e ao cabelo do apresentador. Também foram registrados termos como "capitão do mato" e referências a "Casa Grande", "chibata" e "chicote".

A notícia-crime pede que o caso seja encaminhado à Polícia Federal para abertura de inquérito e solicita a preservação de registros de conexão, dados cadastrais e endereços de IP dos perfis responsáveis pelas publicações, para permitir a identificação dos autores. A defesa também requer que, caso sejam encontrados indícios suficientes de autoria e materialidade, o caso seja enviado ao Ministério Público Eleitoral para eventual oferecimento de denúncia.

A coordenação dos programas de rádio e TV da campanha de Zucco repudiou os ataques. "Ideologia ou divergência partidária jamais podem estar acima da decência, do respeito e, principalmente, da lei", afirmou Tânia Moreira, responsável pela área.

O plano de governo de Zucco aborda a questão racial de forma pontual. No documento apresentado pelo candidato à Justiça Eleitoral, a referência específica à população negra aparece no eixo de diversidade cultural, que prevê apoio às comunidades quilombolas e às culturas negras.

Além disso, em seu histórico como parlamentar, Zucco já se posicionou contra mecanismos de ações afirmativas. Em 2021, quando era deputado estadual pelo então PSL, votou contra a reserva de 20% das vagas em concursos do Judiciário gaúcho para pessoas negras. Em 2024, já na Câmara, assinou emenda que buscava proibir bancas de heteroidentificação em concursos federais e instituições de ensino. No ano seguinte, também criticou a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial, sob o argumento de que a estrutura poderia resultar em "aparelhamento" e desperdício de recursos.

Estadão
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