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'Motocadas' de Bolsonaro já consumiram R$ 1,67 milhão

Valor corresponde aos gastos ao longo deste ano somente em diárias da equipe de segurança que o acompanha

4 jun 2021 18h06
| atualizado às 19h13
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Jair Bolsonaro durante passeio de moto na cidade do Rio
Jair Bolsonaro durante passeio de moto na cidade do Rio
Foto: Alan Santos / PR

As viagens do presidente Jair Bolsonaro já consumiram R$ 1,67 milhão, ao longo deste ano, somente em diárias da equipe de segurança que o acompanha. Candidato à reeleição, Bolsonaro usou muitos compromissos agendados fora de Brasília para fazer política, como no último domingo, 23, quando participou de um passeio com motociclistas, no Rio de Janeiro.

Do total consumido com diárias dos homens do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) - R$ 1,67 milhão -, a maior parte (R$ 1,54 milhão) foi para militares. O Estadão apurou o valor usando a ferramenta Siga Brasil, do Senado, a partir de informações do próprio GSI, órgão ligado à Presidência da República.

No Rio, o passeio de Bolsonaro com os motociclistas foi de aproximadamente 60 quilômetros, da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, até o Aterro do Flamengo, na Zona Sul. Ao final, o presidente subiu em um carro de som para discursar, acompanhado do ex-ministro da Saúde e general da ativa do Exército Eduardo Pazuello. Ambos estavam sem máscara de proteção contra coronavírus.

Antes do Rio, Bolsonaro já havia circulado de moto com apoiadores, em Brasília, no último dia 9. Militares do Gabinete de Segurança Institucional ouvidos pela reportagem disseram, sob a condição de anonimato, que os passeios de moto de Bolsonaro foram um sucesso do ponto de vista logístico e de segurança, e devem se repetir.

A próxima 'motocada' de Bolsonaro poderá ser em São Paulo (SP), no dia 12 de junho. Um evento chamado 'Acelera Para Cristo em Apoio ao Presidente Bolsonaro e ao Voto Impresso' foi convocado por uma associação comercial e por um grupo de pastores evangélicos. Os organizadores do ato afirmaram que Bolsonaro participará. A Secretaria de Comunicação da Presidência disse não haver confirmação da presença dele.

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, nesta quinta-feira, 27, Bolsonaro afirmou que tem gente pedindo novos passeios de moto. "Não marcamos nenhum ainda. Isso depende de conversar com o respectivo governador ou prefeito. Há um movimento muito forte. No próximo fim de semana, poderá ser Porto Alegre ou Belo Horizonte", destacou na live.

Para o presidente, o passeio no Rio foi "uma coisa excepcional", "sem viés político", embora ele esteja em campanha pelo segundo mandato. "Não tinha nenhuma bandeira vermelha, nenhuma foice ou martelo", disse Bolsonaro sobre a manifestação de domingo.

Apesar da boa avaliação dos militares do GSI, o evento no Rio trouxe consequências negativas: o Comando do Exército abriu um processo disciplinar contra Eduardo Pazuello, sob a acusação de que ele teria infringido o artigo 56 do Regulamento Disciplinar do Exército. A norma proíbe militares da ativa de participarem de manifestações públicas. Ao se defender, Pazuello, alegou que a atividade se resumiu a um simples passeio de moto, sem caráter político-partidário. 

O Comando do Exército anunciou nesta quinta-feira, 3, no entanto, que o ex-ministro Pazuello não cometeu transgressão disciplinar por ter participado de ato político e arquivou o procedimento administrativo que havia sido instaurado para verificar a conduta do general. A decisão gerou críticas de militares e também de parlamentares, podendo ainda abrir um precedente de insubordinação nas Forças Armadas.

Bolsonaro faz uma viagem a cada 6,7 dias

Somente neste ano, Bolsonaro já fez ao menos 22 viagens para fora de Brasília, a maioria delas para compromissos oficiais, como inaugurações de obras. Nem todas, porém, constam da agenda oficial do presidente. É o caso, por exemplo, do passeio motociclístico no Rio e da viagem a Santa Catarina para o recesso de carnaval, em fevereiro.

Até agora, quase todos os deslocamentos foram dentro do Brasil: a única exceção foi a viagem à capital do Equador, Quito, na semana passada. Bolsonaro esteve no país andino para a posse do novo presidente, Guillermo Lasso. Na média, fez uma viagem a cada 6,7 dias.

Ao sair de Brasília o presidente é sempre acompanhado por uma extensa comitiva de segurança, a cargo do Gabinete de Segurança Institucional, que é comandado pelo general da reserva do Exército Augusto Heleno Ribeiro.

Militares que trabalham com Bolsonaro avaliam que o aparato de segurança precisa ser reforçado por causa do atentado sofrido por ele quando era candidato, em 6 de setembro de 2018. Na ocasião, Bolsonaro foi atingido por uma facada desferida por Adélio Bispo de Oliveira, enquanto participava de um comício em Juiz de Fora (MG).

Em resposta ao Estadão, o GSI informou que "os gastos com a segurança presidencial estão previstos na Ação orçamentária 4693 - 'Segurança Institucional do Presidente da República e do Vice-Presidente da República, Respectivos Familiares, e Outras Autoridades'". Ao longo deste ano, a rubrica consumiu até agora R$ 4,64 milhões.

Embora pareça elevada, a despesa com diárias é apenas uma pequena parte do custo das viagens presidenciais. Entram na conta, ainda, os gastos com hospedagem da comitiva, com os voos dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e com alimentação dos viajantes. Como parte destes valores é mantida sob sigilo, é impossível saber a quantia total dispendida com as viagens presidenciais.

É o caso dos gastos com voos. "O GSI não dispõe dos custos operacionais das missões realizadas pelas aeronaves da FAB em apoio à Presidência da República. Tais custos encontram-se classificados no grau de sigilo RESERVADO pelo Comando da Aeronáutica (Comaer), posto que se trata de tema de acesso restrito para os planos e operações estratégicos das Forças Armadas", destacou a pasta.

Recentemente, os deputados federais Rubens Bueno (Cidadania-PR) e Elias Vaz (PSB-GO) levantaram informações que ajudam a ter uma ideia dos reais gastos da Presidência com viagens. Os quatro dias de recesso de Bolsonaro e convidados no carnaval deste ano, em Santa Catarina, por exemplo, custaram R$ 1,79 milhão aos cofres públicos, quando somados todos os custos.

A informação foi obtida pelos deputados por meio de um requerimento de informações direcionado ao GSI. Só com o transporte aéreo em aviões da FAB o valor consumido foi de R$ 1,01 milhão.

Veja também:

Bolsonaro viaja a Quito para acompanhar posse de novo presidente do Equador, Guillermo Lasso:
Estadão
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