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Política

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Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias após leitura de carta do ex-presidente

Decisão foi dada após senador e pré-candidato divulgar nas redes sociais carta escrita pelo seu pai para dar aval à sua candidatura à Presidência; Flávio ficará sem se comunicar com o ex-presidente até depois do primeiro turno

13 jul 2026 - 15h37
(atualizado às 17h46)
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BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta segunda-feira, 13, suspender por 90 dias o direito de visita do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais no sábado, 11, Flávio exibiu uma declaração escrita à mão pelo pai, em que ele diz que os seus apoiadores devem "deixar as diferenças" e chama o filho "01? de "meu porta-voz em quem confio". Segundo Moraes, Flávio descumpriu a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

Considerando o prazo estabelecido pelo ministro do STF, Flávio ficará sem se comunicar diretamente com o pai até o dia 11 de outubro - data posterior ao primeiro turno das eleições, que ocorre no dia 4 daquele mês.

Flávio Bolsonaro ficará sem se comunicar com Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno
Flávio Bolsonaro ficará sem se comunicar com Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

"Utilizando-se do seu direito de visita, Flávio Nantes Bolsonaro obteve uma carta do sentenciado Jair Messias Bolsonaro, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais", escreveu Moraes na decisão.

"Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita", prosseguiu.

Moraes ainda determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, para que apure se a conduta configura propaganda eleitoral antecipada de Flávio. Para o ministro, a carta foi um instrumento de promoção política da candidatura do filho à Presidência, "com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto".

O ministro também cobrou que a defesa do ex-presidente explique, em até 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a sua carta seria lida pelo filho em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Moraes ponderou, no entanto, que a declaração de Flávio de que o pai "teria um recado muito importante para dar a toda a nossa nação" já indica que Bolsonaro tinha "plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais". De acordo com ministro, tal ato "configuraria igualmente desrespeito à medida cautelar a que está submetido".

Ao justificar a suspensão das visitas, Moraes afirmou que Flávio é "reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais". O ministro relembrou o episódio ocorrido o dia 3 de agosto de 2025 em que Bolsonaro ligou para Flávio e enviou uma mensagem a manifestantes no Rio de Janeiro, fato que foi transmitido nas redes sociais e à época foi interpretado como violação da medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar essas plataformas.

A violação de medidas cautelares por Bolsonaro, como o ocorrido recentemente no episódio da arma apreendida, pode fazer com que ele perca o direito à prisão domiciliar e retorne a uma unidade prisional.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), acionou Moraes logo após Flávio realizar a transmissão ao vivo com o pedido de que Bolsonaro retorne à prisão. Porém, como mostrou o Estadão/Broadcast, uma ala do STF considera improvável a revogação da domiciliar neste momento.

Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha presidencial de Flávio, afirmou que a decisão de Moraes "é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável". Ainda na avaliação do parlamentar, trata-se de "uma clara interferência no jogo político".

"A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição", afirma (leia a nota completa ao final).

O advogado Tracy Reinaldet, que trabalha na pré-campanha de Flávio, também emitiu nota repercutindo a decisão em que acusa o ministro de desrespeitar a Lei de Execução Penal, o Estatuto da Advocacia e a Constituição.

"Vale lembrar que o senador Flávio Bolsonaro é também advogado de seu pai. A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado", citou no texto.

O documento lido por Flávio e que ensejou a proibição de visitas ao pai foi intitulado de "Carta aos Brasileiros", assim como a apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002, em sinalização ao mercado de comprometimento com a legado macroeconômico da gestão anterior.

No texto, Bolsonaro transmite a ordem aos apoiadores para "deixar as diferenças e apoiar o nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro, meu porta-voz em quem confio". A mensagem foi veiculada após racha entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Leia a nota completa do senador Rogério Marinho

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político.

A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.

O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu.

Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais. Há um claro padrão de comportamento: parlamentares do PT substituíram o Ministério Público em uma dobradinha com o Supremo que desequilibra o jogo democrático.

Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.

A mais alta corte da Itália apontou a parcialidade e as anomalias do STF no julgamento de membros da direita. Tribunais da Espanha, Estados Unidos e Argentina, também já se manifestaram contrários às decisões do supremo por verem parcialidade e perseguição política na conduta de Alexandre de Moraes.

Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa. Milhões de brasileiros vão levantar as suas vozes em todo o país, para que possamos retomar a necessária e perdida normalidade democrática.

Estadão
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