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Política

Moraes manda Justiça de MG recalcular pena de homem que quebrou relógio de Dom João VI

Ministro do STF deu 48 horas para a Vara de Execuções Penais de Uberlândia atualizar os dias de remição de Antônio Cláudio Ferreira e cobrou comprovação de estudo e leitura do condenado pelo 8 de Janeiro; TJMG disse que irá apurar internamente o que cabe ao tribunal

12 jan 2026 - 16h00
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG) refaça, no prazo de até 48 horas, o atestado de pena a cumprir de Antônio Cláudio Ferreira, o mecânico que destruiu o relógio histórico de Dom João VI no Palácio do Planalto durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Ferreira foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.

A decisão foi tomada após o STF constatar que ordens anteriores da Corte não foram cumpridas pela Justiça de Minas Gerais, responsável pela custódia do preso.

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi flagrado por câmeras de segurança do Planalto
Antônio Cláudio Alves Ferreira foi flagrado por câmeras de segurança do Planalto
Foto: Reprodução / Estadão

Segundo documentos enviados ao Supremo, o detento trabalhou 187 dias entre setembro de 2024 e abril de 2025, leu quatro livros, entre eles, O Mulato, Memórias de um Sargento de Milícias, Uma História de Amor e Laranja da China. Ferreira também foi aprovado no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2024, obtendo certificação do ensino fundamental.

Com base nesses dados, Moraes já havia reconhecido 66 dias de remição de pena e autorizado a detração do período em que o réu ficou preso preventivamente, entre 24 de janeiro de 2023 e 6 de dezembro de 2024.

Apesar disso, segundo Moraes, a Vara de Execuções Penais de Uberlândia não enviou ao STF os documentos exigidos para validar oficialmente o tempo de estudo e leitura nem apresentou novo cálculo da pena, como havia sido determinado. A Vara de Execuções Penais de Uberlândia foi procurada pela reportagem por meio da assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que informou que vai apurar internamente o que cabe ao tribunal.

Diante do descumprimento, Moraes ordenou a expedição de um novo atestado de pena a cumprir, com os cálculos atualizados e ciência ao preso, no prazo de 48 horas, e determinou que a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais comprove, também em 48 horas, a carga horária e a frequência escolar do apenado no âmbito do Encceja, além da quantidade de livros lidos, com as respectivas certidões.

A Procuradoria-Geral da República foi notificada, e os advogados do condenado foram intimados da decisão.

Embate entre a Vara de Uberlândia e o STF

Antônio Cláudio havia deixado, em junho, o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, após ser beneficiado com progressão para o regime semiaberto por decisão do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais local. O magistrado entendeu que o réu já preenchia os requisitos para a mudança de regime e autorizou a soltura sem tornozeleira eletrônica, alegando que o Estado não dispunha do equipamento e que o preso não poderia ser prejudicado por isso.

No dia seguinte, Moraes determinou o retorno imediato de Antônio Cláudio à prisão e ordenou a abertura de investigação contra o juiz, por entender que a decisão foi proferida fora da competência da Vara. A Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) instaurou procedimento no mesmo dia. O condenado foi recapturado pela Polícia Federal em Catalão (GO).

Relembre o caso

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi identificado e preso pela Polícia Federal como o autor da destruição do relógio histórico que pertenceu a Dom João VI durante a invasão às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. A peça, que ficava exposta no terceiro andar do Palácio do Planalto, foi um presente do rei Luís XIV, da França, e chegou ao Brasil com a família real portuguesa, em 1808.

Ele foi localizado por meio de reconhecimento facial e depoimentos colhidos pela PF. O ato de vandalismo foi registrado por câmeras do Planalto e ganhou ampla repercussão após ser exibido no programa Fantástico, da TV Globo. A partir disso, vizinhos e conhecidos do réu passaram a identificá-lo.

Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Antônio Cláudio vestia uma camiseta com o rosto do político no dia da invasão.

Estadão
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