Ministros de Lula marcam presença em protesto contra anistia e criticam pressão externa
Os ministros Luiz Marinho (Emprego e Trabalho) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) subiram ao palco para reforçar que a proposta de anistia é uma afronta à Constituição.
A principal mobilização (cerca de 30 mil pessoas, segundo organizadores) realizada na Praça da República, em São Paulo, nesta quarta (7 de setembro), expressou um firme posicionamento contra a anistia, com forte participação de ministros do governo Lula. O evento enfatizou a resistência soberana do Estado brasileiro à intervenção externa.
A manifestação, parte de atos similares em diversas capitais, ocorreu no contexto do julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 — processo iniciado em 2 de setembro e próximo da reta final, com votos prestes a ser definidos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os ministros Luiz Marinho (Emprego e Trabalho) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) subiram ao palco para reforçar que a proposta de anistia é uma afronta à Constituição. Marinho foi enfático ao afirmar que "pedir anistia antes mesmo de ser condenado é praticamente uma confissão", lembrando que crimes contra a pátria não admitem perdão legal.
O ministro também criticou os ataques do governo dos Estados Unidos — incluindo tarifas elevadas sobre produtos brasileiros e acusações ao ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky —, e reafirmou a postura de Lula: "Apesar das pressões internacionais, o Brasil seguirá crescendo, gerando empregos e distribuindo renda".
Teixeira complementou a fala, classificando como "abrupta e injustificada" a postura protecionista dos EUA motivada por interesses políticos. Ele declarou que o ato em São Paulo reforça a soberania nacional e o respeito ao Judiciário brasileiro: "O Brasil não aceitará ameaças dessa natureza."
O ato também contou com forte presença de parlamentares da esquerda, entre eles Guilherme Boulos (PSOL-SP), que criticou duramente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) por buscar apoio à anistia e sinalizou que "no Senado não passa", destacando que a sociedade brasileira não dará aval à anistia a golpistas.
Movimentos sociais como o MST também estiveram na marcha e defenderam pautas progressistas como taxação dos super-ricos, redução da jornada de trabalho e reforço à soberania. Gilmar Mauro, um de seus representantes, afirmou que "processos de anistia abriram espaço para retrocessos" e que "não há espaço para anistia desta vez".
O presidente Lula também marcou posição em Brasília, entoando o lema "sem anistia" durante o desfile cívico-militar, reforçando que a mobilização popular foi vital para este recado cívico.
Mensagens principais dos ministros:
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Luiz Marinho condenou o movimento pela anistia, afirmando que "pedir anistia antes mesmo de ser condenado é praticamente uma confissão". Ele reforçou que, segundo a Constituição, crimes contra a pátria não admitem perdão, e que, caso o Congresso aprove alguma proposta inconstitucional, ela seria vetada ou freada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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Paulo Teixeira, por sua vez, classificou como "abrupta e injustificada" a postura dos EUA, que rompeu uma relação histórica com o Brasil ao adotar medidas protecionistas por motivações políticas. Para ele, a anistia seria uma tentativa de interferir nos rumos da justiça brasileira, e o Judiciário pode e deve condenar esses atos por tentativa de golpe. "O Brasil não aceitará ameaças dessa natureza", concluiu.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi duramente criticado por figuras da esquerda como Guilherme Boulos (Psol-SP), que o acusou de atuar em Brasília pela aprovação da anistia — e o chamou de "lamentável" por buscar futuras alianças com o bolsonarismo. Boulos reforçou que a proposta é impopular e citou reivindicações populares como redução da jornada de trabalho e retirada de IR para trabalhadores.
Manifestantes e entidades como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) também marcaram presença, com Gilmar Mauro lembrando que "a anistia ignora o peso histórico dos retrocessos que ela representa" e alertando para o risco de retorno de um governo alinhado aos interesses externos.