Ministério da Defesa pede ao Telegram exclusão de chat com mensagem golpista após matéria do Estadão
Pasta sob gestão Bolsonaro publicou link para canal contendo pedido de golpe de Estado; órgão alega uso indevido de nome para
BRASÍLIA - Após o Estadão revelar que o Ministério da Defesa publicou em 2022 um tuíte que leva para um canal no Telegram com uma mensagem de pedido de golpe de Estado, a pasta anunciou nesta segunda-feira, 10, ter pedido ao aplicativo de mensageria a exclusão do chat.
O ministério alega que o canal usa indevidamente o seu nome. Intitulado "Ministério da defesa", com erro no uso de letra minúscula no nome da pasta, o chat conta com apenas 289 inscritos e não é o oficial da pasta.
"O Ministério da Defesa informa que solicitou à plataforma Telegram, nesta segunda-feira, a exclusão do canal que usa indevidamente o nome do Ministério da Defesa. Cabe destacar que o canal citado em reportagem do Estadão não é utilizado atualmente pela pasta", informou o ministério.
"A Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério da Defesa tomou conhecimento do uso indevido do canal por meio da reportagem e esclarece que mantém uma conta oficial e verificada na plataforma Telegram, que pode ser acessada pelo link".
O Estadão revelou no domingo, 9, que o perfil oficial do Ministério da Defesa publicou em 7 de novembro de 2022, ainda sob o governo Bolsonaro, um tuíte que leva para um canal no Telegram com uma mensagem de pedido de golpe de Estado. A publicação permanece por 28 meses no ar.
Procurado naquela ocasião, o ministério não quis comentar. Consultados informalmente, membros da pasta não souberam dizer se o episódio se trata de um hackeamento ou teve o envolvimento de algum servidor.
A postagem original no então Twitter foi feita oito dias após a derrota do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição. O ministro da pasta era o general Paulo Sérgio Nogueira, que havia sido antes comandante do Exército.
O tuíte da Defesa orienta o usuário a conferir na íntegra uma nota sobre o relatório do trabalho de fiscalização do sistema eletrônico de votação, mas o link publicado leva para outra rede social, o Telegram. Ali, há uma única mensagem publicada: "Dê o golpe jair", diz o texto ao lado de um emoji de bandeira do Brasil. Veja no vídeo abaixo.
Há registros feitos por usuários no Twitter naquela semana de que a mensagem pedindo golpe pode ter sido feita entre a noite do dia 9 e a tarde do dia 10, dias após a criação do canal. No post, consta como última edição às 13h11 do dia 10. A publicação ocorreu em meio ao envolvimento direto do ministério e de setores das Forças Armadas para investigar as urnas eletrônicas.
Antes do pedido de golpe, a conta da Defesa havia divulgado um aviso sobre o trabalho que fizera na auditoria das urnas. Uma nota replicada no site oficial da Defesa, ainda no ar, do dia 7 de novembro, dizia que, dali a dois dias, o ministério encaminharia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o relatório do trabalho de fiscalização do sistema eletrônico de votação, realizado pela equipe de técnicos militares das Forças Armadas.
O relatório, entregue no dia 9, no entanto, não apontou qualquer fraude eleitoral e ainda reconheceu que os boletins de urnas e os resultados divulgados pelo TSE eram idênticos. Ou seja, o boletim que a urna tinha imprimido registrando os votos dados ao final da votação conferia com o resultado da totalização divulgada pelo tribunal.