Médico diz que Bolsonaro caiu ao tentar caminhar na cela e teve traumatismo craniano leve
Exames realizados nesta quarta descartaram a hipótese de convulsão, afirmou um dos médicos do ex-presidente
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofreu uma queda dentro da cela onde está preso na Superintendência da Polícia Federal e teve traumatismo craniano leve, segundo informou nesta quarta-feira, 7, um de seus médicos. De acordo com o cardiologista Brasil Caiado, Bolsonaro se levantou durante a madrugada, tentou caminhar e caiu. Inicialmente, a equipe chegou a considerar a hipótese de queda da cama.
"Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto. Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa", disse.
Exames realizados nesta quarta descartaram a hipótese de convulsão. Os resultados apontaram lesão em partes moles nas regiões temporal direita e frontal direita, compatíveis com traumatismo craniano leve, segundo Caiado.
Bolsonaro deixou o hospital na tarde de hoje sem necessidade de intervenção terapêutica, segundo boletim divulgado pelo Hospital DF Star. A nota confirma a versão do médico do ex-presidente e afirma ainda que não há necessidade de intervenção terapêutica. O boletim também diz que Bolsonaro "deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente".
O médico também relatou preocupação com o uso de medicamentos prescritos para controlar crises de soluço.
"Ele faz uso de vários medicamentos para tratamento das crises de soluços e nós estamos diante de um problema. Se esses quadros forem recorrentes e colocam o presidente numa zona de aumento de risco pelos medicamentos, nós temos que suspender os medicamentos e colocar o presidente num quadro degradante de soluço. Ou eu mantenho a medicação e aumento o risco, que eu ainda não sei se é, nós vamos avaliar", afirmou.
Bolsonaro foi levado na manhã desta quarta ao Hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames. O comboio da PF e da Polícia Militar do DF chegou por volta das 11h20. O ex-presidente estava acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os médicos solicitaram a realização de tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma.
Também nesta quarta, o Conselho Federal de Medicina determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal a abertura imediata de sindicância para apurar denúncias sobre as condições de atendimento médico prestado ao ex-presidente.
Entretanto, horas depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nula a determinação do Conselho. Moraes mandou a Polícia Federal (PF) ouvir o presidente do CFM em até 10 dias.
Michelle Bolsonaro criticou a demora para a autorização da ida ao hospital e afirmou que, "mais uma vez", haverá "sangue nas mãos" do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A autorização para os exames no DF Star foi concedida nesta quarta-feira.