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Manifestantes voltam às ruas com foco no impeachment

Protestos contra Bolsonaro estão previstos em mais de 200 cidades do País, incentivados por trabalhos da CPI da Covid e pedido unificado

3 jul 2021 05h10
| atualizado às 08h13
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Incentivados pelos desdobramentos da CPI da Covid no Senado, que avança sobre suspeitas de irregularidades na aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde, e pelo superpedido protocolado nesta semana na Câmara, manifestantes devem ir às ruas hoje para o terceiro protesto em dois meses para reivindicar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Os atos estão confirmados em ao menos 261 cidades, segundo os organizadores.

Protesto contra o Presidente Jair Bolsonaro, realizado na cidade de Paulista, na cidade de São Paulo
Protesto contra o Presidente Jair Bolsonaro, realizado na cidade de Paulista, na cidade de São Paulo
Foto: Celso Luix / Estadão Conteúdo

Os protestos são organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), as frentes Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central de Movimentos Populares (CMP) e a Uneafro Brasil. A iniciativa tem o apoio formal do PSOL, PT e PCdoB, que devem mandar representantes às ruas.

Unidos no superpedido de impeachment protocolado na quarta-feira, deputados e lideranças de centro e de direita, no entanto, resistem se unir às entidades e legendas de esquerda nas manifestações de rua.

Um dos grupos que lideraram o movimento pelo impeachment de Dilma Rousseff, o Movimento Brasil Livre (MBL) apoia o documento e pede o "Fora Bolsonaro", mas resiste em ir às ruas no sábado. "Neste momento temos diferenças. Os grupos vão levar suas próprias bandeiras para a rua no sábado. Eu não defendo o Lula Livre, pelo contrário. Se o ato for exclusivamente pelo impeachment, fica mais fácil conversar", afirmou Adelaide Oliveira, porta-voz do MBL.

Ex-aliada de Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) está entre os signatários do superpedido, mas não pretende ir na manifestação. "O problema é a aglomeração. Precisa esperar o povo estar mais vacinado. Como podemos criticar o presidente por fazer aglomeração e fazer também".

Já o deputado federal Junior Bozzella (PSL-SP) defende que os atos contra Bolsonaro tenham um caráter como os "caras pintadas" que pediram o Fora Collor. "O governo entrou em um caminho sem volta. É preciso unir forças. Estou estimulando as bases e os detentores de mandato para ir às ruas. Não sei se vai ser possível agora, mas a ideia é irmos em bloco."

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) não descarta cenário, no segundo semestre, no qual direita e esquerda façam atos separados, mas desaconselha essa estratégia. "Quem não entrar na onda da saída do Bolsonaro agora vai perder espaço na rua e eleitoralmente", avaliou.

Redes

Os atos de maio e junho contra Bolsonaro deram fôlego aos pedidos de impeachment nas redes sociais. O pico de menções contrárias ao presidente ocorreu em 29 de maio, quando a oposição realizou o primeiro grande ato desde o início da pandemia. O Instagram registrou a maior quantidade de interações, cerca de 30 milhões. No Twitter, foram 1 milhão. Grupos públicos e páginas oficiais do Facebook, o total de interações, considerando comentários, compartilhamentos e reações, no dia 29, foi de 8 milhões. / PEDRO VENCESLAU e ITALO COSME e JULLIE PEREIRA, ESPECIAIS PARA O ESTADÃO

Estadão
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