Lula rebate Trump sobre tarifas em artigo no Washington Post: ‘Ninguém nos derrotará com mentiras’
Presidente brasileiro escreveu que tentativas de impor restrições ideológicas de Trum não irão prosperar
Em artigo publicado neste domingo, 26, no jornal americano The Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as novas tarifas impostas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre produtos brasileiros, e pediu um “diálogo aberto e construtivo” entre os países. Lula também voltou ao tema da defesa da soberania nacional.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
"O destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência", escreveu o petista.
O artigo foi publicado um dia após o Itamaraty negar os vistos de dois funcionários de alto escalão da Casa Branca, após o mesmo jornal revelar que o objetivo da viagem ao Brasil seria levantar suspeitas contra a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Lula afirma ainda que o anúncio do primeiro tarifaço de Trump, feito no ano passado, tinha uma motivação política clara. Ao anunciar a medida, Trump fez referência à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à prisão por tentativa de golpe de estado. De acordo com Lula, as negociações posteriores derrubaram os argumentos que sustentavam as primeiras tarifas.
"No entanto, neste mês, ignorando dezenas de reuniões entre nossas equipes, argumentos técnicos sólidos e documentos que entreguei pessoalmente ao presidente Trump, o governo dos EUA impôs novas tarifas ao Brasil, variando de 12,5% a 37,5%", diz Lula no artigo.
O brasileiro destaca que Brasil e Turquia estão em segundo lugar na lista de países com mais taxas. Os EUA mantém superátvit em relação ao Brasil na balança comercial, lembra o presidente.
Lula argumenta que o tarifaço prejudica empresas e consumidores americanos, por desestruturar cadeias de suprimentos que dependem do Brasil. Enquanto isso, o país busca substituir os EUA por outros parceiros comerciais. O petista também diz que as acusações de Trump em relação ao país não têm fundamento.
"A liberdade de expressão não é um salvo-conduto para atividades criminosas em plataformas de redes sociais — não desistiremos de proteger nossas famílias e crianças da ganância de um punhado de oligarcas da tecnologia. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas dos EUA e é uma referência internacional em infraestrutura pública digital", escreve Lula. Ele também afirma que, a partir do início do seu terceiro mandato em 2023, o país passou a combater crimes ambientais "agressivamente".
O artigo do Washington Post diz que Lula é a favor de “unir forças em torno de iniciativas concretas que envolvam investimentos, comércio e o combate ao crime organizado”. Ele critica a condução da política externa norte-americana.
"Dividir o mundo em esferas de influência e buscar empreendimentos neocoloniais em prol de recursos estratégicos são gestos anacrônicos e retrocessos", opina.
"Tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão. Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos. Ninguém nos derrotará com mentiras", acrescenta.
Lula conclui o texto afirmando que o Brasil respeita a soberania de outras nações e negocia com aqueles que sabem respeitar sua própria soberania. O tema é uma das apostas do petista para as eleições deste ano. No ano passado, quando o primeiro tarifaço foi anunciado por Trump, esse discurso ajudou a melhorar os índices de aprovação do governo.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.