Lula nega reciprocidade em negociação sobre tarifas e diz que País não 'chorará' perda de exportações aos EUA
Discurso do petista aconteceu em meio à cerimônia de assinatura do novo pacote de socorro às empresas afetadas pelo novo tarifaço de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira, 22, que o Brasil não teve reciprocidade nas negociações sobre tarifas com os Estados Unidos. Em coletiva, o petista destacou o País não deixará de tentar negociar com o governo de Donald Trump, nem vai 'chorar' por produtos que deixarão de ser vendidos aos EUA.
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A declaração se deu em evento realizado na tarde desta quarta no Palácio do Planalto, em que o governo Lula lançou o Plano Brasil Soberano 3, um novo pacote de socorro às empresas afetadas pela sobretaxa do governo Donald Trump e por incertezas do cenário internacional.
"Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação. A gente nunca encontrou reciprocidade na conversa", afirmou o presidente.
"Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos Estados Unidos? Não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez, e fazendo eles provarem que tinham alguma razão em taxar o Brasil", concluiu.
O pacote é uma resposta a uma decisão do governo Trump divulgada na última quarta-feira, 17, que concluiu que o Brasil adota práticas que 'oneram ou restringem' o comércio com os EUA. O país norte-americano citou o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais como exemplo.
O novo tarifaço entrou em vigor nesta quarta-feira, uma semana após o anúncio da nova sobretaxa. Já Lula afirmou que 'não tem veto de negociação'.
"E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar e-mail, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação. Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores", afirmou Lula.
Plano Brasil Soberano 3
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o Plano Brasil Soberano 3 dará R$ 18,5 bilhões em apoio aos setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo dos EUA, além de setores afetados por conflitos ao redor do mundo, como a guerra no Irã.
Segundo Moretti, dos R$ 18,5 bilhões, R$ 13,5 bilhões serão de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esses R$ 13,5 bilhões do Tesouro são de recursos de linhas anteriores não utilizadas, disse Moretti.
De acordo com o ministro do Planejamento, a fase 3 do programa será voltada especialmente aos setores afetados por tarifas, exportadores ao Golfo Pérsico e outros setores estratégicos. Segundo ele, o plano mostra que o governo "demonstra preocupação grande com impactos externos no Brasil".
O ministro chamou o Plano Brasil Soberano 2 de "absoluto sucesso" e disse que ele motivou o Plano Brasil Soberano 3, atendendo "não só os afetados pelas tarifas da seção 232 (primeiro tarifaço, sob motivo de segurança nacional), mas também da seção 301 (segundo tarifaço, com base na investigação aberta pelo USTR), além dos setores afetados pelos conflitos".
Programas anteriores
Em março, o governo federal editou a Medida Provisória (MP) nº 1.345/2025, do Plano Brasil Soberano 2, para o enfrentamento dos impactos causados por razões geopolíticas e de instabilidade internacional, inclusive aqueles decorrentes da aplicação de porcentuais majorados de tarifas comerciais, às pessoas jurídicas.
Além de mitigar o impacto do tarifaço para exportadores brasileiros, a MP também tinha em vista a guerra no Oriente Médio.
Foram destinados R$ 15 bilhões em crédito a exportadoras de bens industriais e seus fornecedores, bem como a empresas atuantes em setores industriais "relevantes ao comércio exterior brasileiro".
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