Lula mantém silêncio sobre Bolsonaro ter ficado inelegível em julgamento no TSE
Presidente evita comentar julgamento durante eventos públicos e nas redes sociais; manifestações ficaram por conta de aliados do petista
Tanto durante eventos oficiais quanto nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem evitado comentar a votação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que declarou Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos. O julgamento terminou na tarde de sexta-feira, 30, e até o início da tarde de sábado, 1.º, ministros e aliados de Lula já haviam celebrado a condenação, mas o presidente manteve-se em silêncio sobre o assunto.
O TSE formou maioria para condenar o ex-presidente no começo da tarde, com voto da ministra Cármen Lúcia. Nesse momento, Lula estava no Rio Grande do Sul com o governador Eduardo Leite (PSDB), em ato de entrega de casas do Minha Casa Minha Vida, em Viamão, município vizinho à capital gaúcha de Porto Alegre. Em seu discurso, chegou a criticar o ex-presidente, mas sem mencioná-lo nominalmente ou falar sobre sua condenação. "Eu não sei o que foi feito durante quatro anos a não ser mentira, destilação de ódio, provocação de mentira, ofensas a todo mundo", disse.
Na sequência, visitou o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e criticou a postura do governo anterior durante a pandemia de covid-19, mas, novamente, sem falar em Bolsonaro ou tratar do julgamento - ainda que o público dos dois atos tenha entoado o coro de "inelegível" em diferentes momentos, celebrando a decisão que tirou a possibilidade de o ex-presidente concorrer nas eleições até 2030.
Nas redes sociais, Lula foi ainda mais discreto. Fez várias postagens entre sexta e sábado, mas tratando de economia e das agendas em Porto Alegre. Não há qualquer menção ao governo anterior.
Aliados se manifestam
A postura é diferente dentro do PT e entre muitos ministros do governo, que postaram mensagens incisivas celebrando a inelegibilidade de Bolsonaro. O ministro da Justiça, Flávio Dino, chegou a afirmar que enviará um requerimento para a Advocacia Geral da União (AGU) para analisar uma possível indenização de Bolsonaro ao Poder Judiciário.
Já a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que "o tribunal condenou os métodos da extrema-direita" e usou o jargão "grande dia", frequentemente utilizado por Bolsonaro com seus apoiadores nas redes sociais.