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Política

Lula cumpre agenda com Juscelino Filho, ministro indiciado pela PF por corrupção

Ministro das Comunicações foi indiciado por irregularidades envolvendo verbas do orçamento secreto; Lula disse que ia falar por telefone e se reunir com o ministro para discutir futuro no governo, mas não cumpriu

20 jun 2024 - 20h31
(atualizado às 22h49)
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O presidente Lula (PT) ao lado do ministro Juscelino Filho
O presidente Lula (PT) ao lado do ministro Juscelino Filho
Foto: Ricardo Stuckert-Secom/PR

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai cumprir uma agenda de anúncio de obras nesta sexta-feira, 21, ao lado do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que foi indicado pela Polícia Federal (PF) por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na semana passada. O petista havia dito que iria se reunir com o ministro para decidir o seu futuro no governo, mas o encontro não ocorreu.

No último dia 12, a PF finalizou as investigações sobre sobre desvio de verbas federais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) - caso revelado pelo Estadão em janeiro de 2023. A conclusão do inquérito foi a imputação dos supostos crimes cometidos por Juscelino.

No mesmo dia, Lula disse a jornalistas em Genebra, na Suíça, que o ministro das Comunicações tem o direito de "provar que é inocente". O presidente anunciou ainda que iria conversar com Juscelino na última quinta-feira, 17, por telefone, o que também não foi concretizado.

Juscelino e Lula vão estar juntos na tarde desta sexta-feira em São Luís, colégio eleitoral do ministro que tem mandato de deputado pelo Maranhão. Segundo o Planalto, o encontro será feito para o "anúncio de obras e ações do governo federal em vários setores".

Como mostrou a Coluna do Estadão, Lula demonstrou, nos bastidores, desconforto com o indiciamento de seu ministro. O presidente considera, no entanto, que Juscelino ocupa o cargo como indicação do União Brasil, e que a sigla deve ser ouvida antes de qualquer decisão.

A agenda foi anunciada inicialmente por Juscelino nas redes sociais dele. "Os maranhenses contam com atenção especial do nosso governo, e seguiremos trabalhando na construção de um estado e um Brasil melhores para todos", disse o ministro em postagem no X (antigo Twitter) nesta quinta-feira, 20.

Juscelino foi indiciado por supostas irregularidades em distribuição de verbas do orçamento secreto

O indiciamento se dá na esteira da Operação Benesse, fase ostensiva da investigação que foi aberta em setembro de 2023. Na ocasião, a PF mirou a irmã de Juscelino, a prefeita afastada de Vitorino Freire (MA) Luanna Rezende. Naquela época, a corporação chegou a solicitar buscas contra Juscelino Filho ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, mas a solicitação foi negada.

Em janeiro do ano passado, o Estadão revelou que Juscelino Filho direcionou R$ 5 milhões do orçamento secreto para a prefeitura de Vitorino Freire asfaltar uma estrada de terra que passa em frente à sua fazenda, no município maranhense. A pedido de Juscelino, durante seu mandato como deputado federal pelo União Brasil, os recursos foram parar na prefeitura da irmã.

Loteada pelo Centrão, a Codevasf operacionalizou a distribuição de verbas do orçamento secreto. Ao menos quatro empresas de amigos, ex-assessoras e uma cunhada do ministro ganharam mais de R$ 36 milhões em contratos com a prefeitura de Vitorino Freire.

Em maio, uma auditoria interna da Codevasf concluiu que houve irregularidades em obras realizadas em Vitorino Freire com recursos indicados por Juscelino Filho. A conclusão se deu após a análise de dois contratos que totalizam R$ 8,988 milhões e tratam da estrada do ministro e outras ruas da cidade maranhense. A auditoria também constatou pagamentos indevidos para empresa contratada para as obras.

Em nota, o ministro alega que a investigação "cria uma narrativa de culpabilidade perante a opinião pública, com vazamentos seletivos, sem considerar os fatos objetivos". "É importante lembrar que o indiciamento não implica em culpa. A Justiça é a única instância competente para julgar, e confio plenamente na imparcialidade do Poder Judiciário. Minha inocência será comprovada ao final desse processo, e espero que o amplo direito de defesa e a presunção de inocência sejam respeitados", diz o ministro em nota.

Estadão
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