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Governador do Rio, Pezão pede liberdade ao Supremo

3 dez 2018
21h55
atualizado às 22h47
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O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), pediu nesta segunda-feira, 3, liberdade ao Supremo Tribunal Federal (STF). O emedebista foi preso pela Operação Lava Jato na quinta-feira, 29, sob suspeita de receber R$ 39 milhões - em valores atualizados - em propina em espécie. O habeas corpus foi distribuído para o ministro Alexandre de Moraes, que decidirá se Pezão fica livre ou não.

Ao pedir a prisão de Pezão, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apontou registros documentais do pagamento em espécie a Pezão entre 2007 e 2015. Raquel afirmou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, solto, Pezão poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa.

Governador do Rio de Janeiro, Pezão chega ao Batalhão Especial Prisional de Niterói
Governador do Rio de Janeiro, Pezão chega ao Batalhão Especial Prisional de Niterói
Foto: Fábio Motta / Estadão Conteúdo

Pezão foi vice-governador de Sérgio Cabral entre 2007 e 2014 e secretário estadual de Obras do Governo entre 1 de janeiro de 2007 e 13 de setembro de 2011. Assumiu a chefia do Executivo fluminense com a renúncia de seu antecessor, em 3 de abril de 2014.

Para a procuradora-geral, Pezão "assumiu a liderança da organização criminosa com a prisão de Sérgio Cabral". O ex-governador do Rio está preso desde novembro de 2016, condenado a mais de 180 anos de prisão.

"(Pezão) continua a ordenar atos de corrupção e de lavagem de dinheiro público, o que demonstra a necessidade da prisão preventiva para garantia da ordem pública ante as evidências de que a prática criminosa segue ativa no governo do Estado do Rio de Janeiro", afirmou Raquel.

"Tem-se um cenário criminoso liderado por Luiz Fernando de Souza (Pezão), que governa o importante Estado do Rio de Janeiro. Seus associados ocupam função pública de destaque ou dirigem empresas que recebem recursos públicos, que estão sendo corrompidos, desviados e lavados de modo criminoso, numa pilhagem que pode a se intensificar nos meses finais de sua gestão."

Pezão caiu no grampo durante a investigação da Lava Jato. O governador do Rio foi flagrado em conversa telefônica em julho deste ano, dizendo que entraria "no circuito" após Sérgio Cabral ter sido mandado para a solitária. A transferência para o isolamento foi requisitada por um promotor que fazia inspeção na cela em que Cabral cumpre pena.

O alvo da interceptação telefônica era Pezão. Às 11h43 de 24 de julho, o governador do Rio falou com um interlocutor identificado por "Ricardo", que lhe contou que estava "saindo lá de Bangu 8".

"O MP fez uma visita lá e fez uma indelicadeza muito grande com Cabral e até acho que fisicamente forçaram ele jogar ele numa cela lá rapaz", relatou Ricardo.

"É mesmo?", perguntou Pezão.

"É o Edson pediu mim tentar falar contigo ou com Marco Antonio", disse o interlocutor.

Ricardo narrou a Pezão que Sérgio Cabral "foi pro enfrentamento com o Ministério Público, aí o Ministério Público, os Promotores que estão aí chamaram polícia". O interlocutor relatou ao governador do Rio que "a cela que botaram ele não tem nada, lugar horrível".

Pezão quis, então, saber. "Mas porque que o Ministério Público fez isso, você sabe por quê?"

"Porque eles estão fazendo vistoria, eles fazem visita né, tipo uma vistoria, né, uma rotina inclusive deles", respondeu Ricardo.

O interlocutor prosseguiu o relato. "E o Sérgio se recusou a fazer porque ele alegou que ele não é preso é detento, e não ia ficar naquela posição, questionou a equipe que tava lá do Ministério Público e ficou aquele questionamento, né, aí eles usaram da autoridade e.."

"Mas a Polícia levou ele pra outro lugar?", perguntou Pezão.

"Aí levou ele pra outra cela aqui em Bangu oito mesmo", afirmou Ricardo.

"P...!", disse o governador.

Em seguida, Pezão pergunta. "O que é que posso, o que você acha que posso fazer aí, o que dá pra gente fazer?"

"Ô governador acho que talvez falar com o Diretor aqui vê se, assim", respondeu Ricardo.

"Tá", afirmou Pezão.

"Assim que acabar a visita, reconduz ele pra sala normal, entendeu, ou…ou, dar condições de acomodar ele pra onde ele foi, porque é local fisicamente não tem nada, é uma sala até que tava em desuso", disse o interlocutor.

"Tá bom. Eu vou ver aqui", respondeu o governador. "Vou entrar no circuito, tá bom."

Defesa

A reportagem está tentando contato com a defesa do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. O espaço está aberto para manifestação.

Estadão
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