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Julgamento do Mensalão

STF abre 2º dia para falas dos advogados dos réus do mensalão

7 ago 2012 - 14h28
(atualizado às 16h46)
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O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu por volta das 14h28 desta terça-feira a quarta sessão do julgamento do mensalão, no segundo dia de sustentações orais dos advogados de defesa. O primeiro a falar hoje deve ser o advogado Castellar Modesto Guimarães Filho, que defende Cristiano Paz. Depois, sobem ao púlpito os defensores de Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos, Paulo Sérgio Abreu e Silva e Leonardo Isaac Yarochewsky, respectivamente. Abreu volta à tribuna para defender Geiza Dias, antes do fechamento da sessão com José Carlos Dias, que representa Kátia Rebello.

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O calendário oficial do julgamento previa que as manifestações desta terça-feira acontecessem ontem, mas uma votação para decidir a competência do Supremo de julgar os 38 réus, ainda na primeira sessão, atrasou os trabalhos.

Ontem, os advogados de defesa buscaram esvaziar as teses da acusação apontando que o julgamento deve se ater aos autos do processo. O defensor de José Dirceu, José Luis de Oliveira Lima, parafraseou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sugerindo que pedir a condenação de seu cliente é "o mais atrevido e escandaloso ataque à Constituição". Já Arnaldo Malheiros Filho, que representa Delúbio Soares, admitiu que houve caixa dois, sendo seguido pelo defensor de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, para quem houve, "no máximo, caixa dois de campanha, jamais tendo havido repasse para parlamentares".

Luiz Fernando Pacheco repudiou uma condenação baseada na "responsabilidade objetiva" de José Genoino, que seria réu "não pelo que fez ou deixou de fazer, mas por ter sido presidente do PT". Hermes Guerrero, advogado de Ramon Hollerbach, também criticou a Procuradoria Geral da República: seu cliente é citado individualmente apenas uma vez na denúncia. "Ele não pode ser julgado por causa do CNPJ, ele tem de ser julgado pelo seu CPF", resumiu.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

No quarto dia do julgamento do mensalão, acontece a segunda sessão de sustentações orais dos advogados de defesa
No quarto dia do julgamento do mensalão, acontece a segunda sessão de sustentações orais dos advogados de defesa
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Fonte: Terra
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