Jato usado em fuga de Flávio Bolsonaro é de empresa citada em caso de corrupção no governo Milei
Companhia aparece em uma investigação de 2025 que tornou-se um dos principais escândalos do governo da Argentina; reportagem tentou contato com a Baires Fly S.A., pelos canais informados no site oficial, mas não obteve retorno
A Baires Fly S.A., dona do jato usado na ida de Flávio Bolsonaro aos EUA, é investigada em um escândalo de corrupção do governo de Javier Milei, na Argentina. A companhia de táxi aéreo é suspeita de lavar cerca de R$ 3,5 milhões em propinas, convertendo repasses ilícitos de redes de farmácia em créditos de voo. O esquema envolvia fraudes e direcionamento de contratos na agência federal de pessoas com deficiência, cujo ex-chefe Diego Spagnuolo e outras 18 pessoas são investigados pelo caso.
BRASÍLIA - A empresa Baires Fly S.A., dona do avião usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para fugir para os Estados Unidos, está envolvida em investigação sobre propinas e fraude na compra de medicamentos e materiais médicos no governo de Javier Milei.
A reportagem tentou contato com a Baires, pelos canais informados no site oficial, mas não obteve retorno.
A companhia aparece em uma investigação de 2025 que tornou-se um dos principais escândalos do governo argentino.
Entre 2023 e outubro de 2025, um grupo teria atuado no órgão federal responsável por políticas para pessoas com deficiência para fraudar compras públicas com sobrepreço, direcionar contratos e distribuir propinas na aquisição de remédios e equipamentos.
Uma rede de farmácias e intermediários teria acesso a informações privilegiadas de funcionários da Andis, a Agencia Nacional de Discapacidad, no nome original. Com isso, ganhavam contratos direcionados e devolviam parte dos ganhos em propinas.
O então chefe da Andis, Diego Spagnuolo, é apontado como chefe de organização criminosa. Além de ter viabilizado o esquema, teria recebido pagamentos ilícitos.
Ele foi demitido do cargo em agosto de 2025 depois da revelação de áudios nos quais Spagnuolo citava propina e Karina Milei, irmã do presidente. Pelo menos outras 18 pessoas são investigadas. Ainda não houve condenações.
A investigação aponta suspeitas de que a Baires Fly teria sido usada por pelo menos cinco redes de farmácia e saúde para receber o dinheiro de propina e convertê-lo em créditos para serviços de aviação oferecidos pela empresa de táxi aéreo.
Essas cinco empresas teriam transferido o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 milhões desde 2023. Segundo o órgão responsável pela investigação, o objetivo dos repasses seria dar aparência de legalidade a recursos ilícitos.
A menção à empresa apareceu em conversas do empresário Sergio Mastropietro. A Procuradoria investiga a relação dele com a Baires, que está formalmente em nome do empresário Luis Grande.
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