Advogado diz que Flávio descumpriu combinado de entregar passaportes e alega surpresa com fuga
Tracy Reinaldet disse que em uma reunião entre Flávio, a equipe jurídica e aliados na segunda-feira, 26, havia ficado combinado que o senador entregaria seus passaportes à PF
A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou surpresa com a fuga do senador para os Estados Unidos, revelando que havia sido acordada a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. O advogado Tracy Reinaldet declarou que a equipe jurídica também havia recomendado o reconhecimento da derrota eleitoral e que não consegue contato com Flávio. Alvo de inquérito sobre elos com o empresário Willer Tomaz, o senador tem a investigação contestada pela defesa, que pede a transferência do caso para André Mendonça no STF.
BRASÍLIA - O advogado Tracy Reinaldet, que atua na defesa do candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira, 28, que foi pego de surpresa com a fuga dele para os Estados Unidos. Segundo o advogado, em uma reunião entre Flávio, a equipe jurídica e aliados na última segunda-feira, 26, havia ficado combinado que o senador entregaria seus passaportes à Polícia Federal (PF).
"Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o País. A reunião terminou combinando de, na terça-feira, ontem, pegar o passaporte dele e entregá-lo à Polícia Federal. Todos da reunião foram surpreendidos com a notícia de que ele teria deixado o País", disse, em entrevista à CNN.
Reinaldet disse que, durante o encontro, o jurídico teria recomendado a Flávio que reconhecesse a derrota no pleito presidencial e de que havia pontuado que a defesa do senador seria "simples" - Flávio é investigado em um inquérito sobre suas relações com o empresário Willer Tomaz.
O advogado disse ter tentado contato com Flávio Bolsonaro desde terça-feira, 29, mas que ainda não foi atendido: "Preciso conversar com ele, tentar entender o que o fez sair do País. Confesso que estou tão perdido nesta história como a imprensa. Ontem, tentei contato com o senador Flávio e não consegui conversar com ele".
Reinaldet chamou o inquérito envolvendo Flávio e Willer como "heterodoxo" e defendeu que o processo esteja sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, não de Alexandre de Moraes. Ele argumenta que parte das informações foi obtida por uma quebra de sigilo no âmbito da investigação das fraudes do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que está com Mendonça.
"De onde as informações chegaram à PF? Pelo que se sabe, essas informações foram obtidas da quebra de sigilo temático da nuvem do iCloud do Willer", falou.Ele disse ainda haver comprovação de que não teria havido transferências das empresas de Willer para Flávio.
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