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Historiador britânico: Lula é o mais bem-sucedido de seu tempo

31 mar 2011
11h52
atualizado às 12h16
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Em ensaio publicado na revista London Review of Books, o historiador marxista britânico Perry Anderson afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "político mais bem-sucedido de seu tempo". Segundo o ensaísta, Lula é o "único líder mundial" cuja popularidade se reflete "não na moderação, mas na radicalização no governo".

Lula recebeu título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra, em Portugal
Lula recebeu título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra, em Portugal
Foto: AFP

"Esse sucesso se deve muito a um excepcional conjunto de talentos pessoais, um misto de sensibilidade social e frieza política, ou - como sua sucessora, Dilma Rousseff, identifica - racionalismo e inteligência emotiva, sem falar em seu bom-humor e charme pessoal", afirma Anderson.

De acordo com Anderson, a chegada de Lula ao poder está atrelado ao fortalecimento do movimento sindicalista no País e à criação do PT. "A ascensão de Lula de trabalhador de chão de fábrica a líder de seu País nunca foi um triunfo individual: o que tornou isso possível foi a principal revolta sindical do último terço do século passado, criando o primeiro - e único, até o momento - partido político moderno do Brasil, que se tornou veículo de seu crescimento. A combinação de uma personalidade carismática e uma organização de massa nacional foram instrumentos formidáveis", diz o historiador.

Entretanto, segundo Anderson, Lula precisou enfrentar uma série de crises em seu primeiro mandato até chegar, no ano passado, à popularidade recorde de 80% de aprovação. O historiador cita o medo dos investidores internacionais no primeiro ano do governo Lula, com o risco da economia brasileira ser contaminada pela crise na Argentina; o escândalo do mensalão, em 2005; e o envolvimento de membros do primeiro escalão do governo em denúncias de corrupção, como Antonio Palocci, José Dirceu e Luiz Gushiken.

Para o historiador, dois fatores foram fundamentais para a "virada" de Lula. O primeiro foi o crescimento da economia, impulsionado principalmente pelo bom momento internacional, especialmente com o "boom" das exportações de soja e ferro para a China. O segundo, e talvez mais decisivo, foi a implantação do programa Bolsa Família - "o programa que agora é indelevelmente associado a Lula".

"O custo efetivo do programa é uma ninharia. Mas seu impacto político foi enorme. Não só porque ele ajudou, mesmo que modestamente, a reduzir a pobreza e estimulou o consumo nas regiões mais castigadas do País. Não menos importante foi a mensagem simbólica que o programa passa: que o Estado se preocupa com todo brasileiro, não importa o quão miserável e oprimido seja, como cidadãos com direitos sociais em seu País. Com essa mudança, a identificação popular de Lula se tornou a sua habilidade política inabalável", afirma.

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Fonte: Terra
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