Haddad pede para que bolsonaristas ‘saiam do caminho’ em negociações com EUA
Ministro falou que governo está disposto a retomar conversas
O ministro Fernando Haddad acusou bolsonaristas de dificultarem negociações com os EUA sobre tarifas de 50% em exportações brasileiras e pediu para que deixem o governo avançar com as tratativas.
O ministro Fernando Haddad (PT) culpou figuras ligadas a Jair Bolsonaro (PL) de impedirem negociações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os Estados Unidos sobre tarifas de 50% impostas em exportações brasileiras.
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De acordo com o titular da Fazenda, o governo brasileiro está disposto a negociar com Donald Trump: “Eu penso que a questão do Bolsonaro é central. Nós já estaríamos numa mesa de negociação se não fosse a interveniência desses desses personagens para impedir que a negociação aconteça, porque nós estamos disponíveis o tempo todo. Agora, precisa desobstruir esse canal. E quem está obstruindo esse canal é a família Bolsonaro e os seus apoiadores”, disse em entrevista à Rádio Itatiaia.
Haddad seguiu o discurso pedindo para que os bolsonaristas ‘saiam do caminho’ para que as conversas voltem a acontecer.
“Por isso que eu faço um apelo de que as pessoas que têm amizade, respeito, admiração por essa família, podem fazer a diferença. Podem fazer a diferença de sensibilizar. Olha, saiam do caminho, vocês perderam uma eleição. Saiam do caminho, deixem o governo negociar. O governo assume bônus e ônus da negociação, mas saiam do caminho para que a mesa possa ser restabelecida como estava 60 dias atrás”, continuou.
Ao apontar o que chamou de “luta contra o País”, o ministro deu a entender que estava se referindo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Bolsonaro que mora nos Estados Unidos desde o início deste ano.
“A primeira medida que o governo está tomando é tentar uma interlocução com o governo dos Estados Unidos em virtude do fato de que há brasileiros ligados ao ex-presidente Bolsonaro que estão lá atuando para que as negociações não tenham início. Então, nós estamos vivendo uma situação paradoxal que talvez nenhum outro país do mundo esteja vivendo”, completou.
A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros foi anunciada por Trump no dia 9 de julho e passará a valer a partir de 1º de agosto. O presidente norte-americano justificou a decisão como resposta direta ao que chamou de "censura" nas redes sociais americanas por parte do governo brasileiro. Ele também mencionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de promover ataques à liberdade de expressão.
Na ocasião, também houve a exigência de que o ex-presidente Jair Bolsonaro "pare de ser perseguido imediatamente".
