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Governo Bolsonaro dá roupagem nova a velhas polêmicas

Apesar do discurso eleitoral antipetista que triunfou em 2018, novo governo repete polêmicas de seus antecessores eleitos

7 mar 2019
10h16
atualizado às 10h47
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Apesar do discurso eleitoral antipetista que triunfou em 2018, os pouco mais de dois meses do governo Jair Bolsonaro vêm mostrando que ele dá nova roupagem a velhas polêmicas. Algumas delas o próprio presidente, antes deputado federal, criticou de forma contundente, apontando o dedo para o PT.

Como são acusadas as gestões de Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016), a de Bolsonaro já tentou: impor sua ideologia nas escolas, aponta a grande mídia como um inimigo e tenta fazer uma "limpeza" nas repartições públicas, demitindo supostos opositores. Nesta semana, disponibilizou um vídeo obsceno em seu Twitter - que não é restrito para maiores de idade -, enquanto no governo Dilma criticava e denunciava a suposta exposição de sexualidade para crianças nas escolas.

O presidente da República, Jair Bolsonaro
O presidente da República, Jair Bolsonaro
Foto: Wilton Junior / Estadão

Bolsonaro repete polêmicas que costumou usar para atacar o PT - só que faz isso com o sinal trocado. Compare:

Educação: 'Doutrinação' x slogan eleitoral para alunos

O ministro da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, pediu às escolas que lessem aos alunos uma carta assinada por ele que continha o slogan da campanha eleitoral do presidente - "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". Na carta, ele pedia que as crianças fossem filmadas cantando o hino nacional.

O "surrealismo" apontado por opositores e até apoiadores de Bolsonaro na carta do ministro lembra o tom dos atuais governistas quando o assunto era a "ideologia de gênero" nas escolas - apontada por eles como uma estratégia do PT para doutrinar crianças e jovens para o comunismo.

Imagens explícitas

Bolsonaro causou polêmica nesta semana após postar, na noite de terça, um vídeo obsceno explícito para criticar o carnaval em que um homem urina em outro - prática sexual conhecida como "golden shower". O vídeo teria sido gravado durante a passagem de um bloco. O conteúdo publicado pelo presidente nesta semana foi sinalizado como "sensível" no Twitter e a conta dele não é restrita a maiores de idade.

Em 2016, o então deputado criticou o Ministério da Educação da gestão de Dilma Rousseff por, de acordo com ele, sugerir para crianças, no "Portal do Professor", que "assistam vídeos de adultos namorado". Um ano depois, já no governo de Michel Temer (MDB), ao criticar contra uma exposição em que havia um homem nu, ele publicou um vídeo com uma tarja preta colocada em cima do órgão genital do participante da exposição. Ele não fez isto em sua publicação desta semana. "Cenas que revoltam... uma criança toca homem nu "em nome da Cultura." Coloquei a tarja no vídeo em respeito a vocês", escreveu o então deputado.

Jornalismo: 'Mídia golpista' x 'extrema imprensa'

A "mídia golpista" criticada pelo PT durante o impeachment de Dilma virou a "extrema imprensa" para a família Bolsonaro. Para os dois lados, os termos dizem respeito aos principais veículos de comunicação do País, entre eles o Estadão, a Folha de S. Paulo e a Rede Globo. O presidente, em áudio vazado das conversas entre ele o ex-Secretário-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, chama a Globo de "inimiga".

O Estadão também já foi alvo, como quando noticiou um recuo do governo na decisão de estabelecer mudanças em livros didáticos. "É notório o nível de desinformação nas manchetes deste jornal", criticou no Twitter.

Acusações de aparelhamento

Bolsonaro não perde a oportunidade de criticar as gestões petistas pelo que chama de "aparelhamento das instituições". Para ele, o PT tinha o controle de um "sistema" de apoiadores nas repartições públicas e na imprensa.

No poder, ouve de opositores que tem feito um aparelhamento à sua maneria: a gestão fala em "despetizar" os ministérios e já tem mais de cem nomes das Forças Armadas, de onde vem o presidente, espalhados por ministérios e órgãos vinculados.

Economistas buscando rumo

Dilma, em 2015, e Bolsonaro, em 2019, começaram seus governos com nomes respaldados pelo mercado para suas áreas econômicas. Com discursos apontados para a necessidade de medidas impopulares, Joaquim Levy e Paulo Guedes foram afetados pelo tumulto político.

Antes de deixar o governo após menos de um ano, Levy disse ao Estado: "Parece que o governo tem medo de reforma". Já o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro têm sofrido pressão de todos os lados na proposta da reforma da Previdência. Como lembrou a jornalista Vera Rosa em Supercoluna, o presidente precisa de um "Posto Ipiranga" também na política - ou põe mais problemas nos ombros de Guedes.

Ausência nos debates

Outra semelhança entre Bolsonaro e seus principais rivais políticos aconteceu ainda durante a campanha eleitoral. Candidato em 2006, o então presidente Lula, hoje preso e condenado na Operação Lava Jato, optou por não participar dos debates do primeiro turno da corrida daquele ano.

Bolsonaro, esfaqueado durante a campanha em 2018, não pôde participar de alguns debates e, mesmo liberado pela equipe médica semanas depois, optou por não participar de outros encontros televisionados. No 2º turno, em que debateria com o petista Fernando Haddad, Bolsonaro não participou de nenhum.

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Estadão
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