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Política

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Flávio Bolsonaro discute com Departamento de Estado dos EUA classificar PCC e CV como terroristas

Encontro ocorre um dia após visita de senador à Casa Branca

27 mai 2026 - 16h05
(atualizado às 17h11)
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BRASÍLIA - Depois de se reunir com o presidente americano Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente pela oposição, foi recebido nesta quarta-feira, dia 27, no Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ele discutiu a classificação de facções brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

A informação foi divulgada pelo comunicador Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, logo após o encontro na sede da diplomacia americana. Além de Paulo, também participou da visita o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro no Departamento de Estado com Christopher Landau, Deputy Secretary of State (número 2 da diplomacia americana)
Flávio Bolsonaro no Departamento de Estado com Christopher Landau, Deputy Secretary of State (número 2 da diplomacia americana)
Foto: Divulgação/Acervo Pessoal Paulo Figueiredo / Estadão

Segundo Figueiredo, "a conversa abordou oportunidades de cooperação entre Brasil e Estados Unidos diante de uma eventual eleição do senador, além da urgência da designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras".

Flávio e a base bolsonarista no Congresso Nacional defendem a classificação das facções, algo rejeitado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O governo brasileiro entende que a designação permitiria, no limite, que os EUA promovessem uma operação militar em território nacional.

Essa contrariedade já foi dita a Trump e seus secretários. Mas a decisão do Departamento de Estado independe da concordância do Brasil.

Flávio Bolsonaro no Departamento de Estado com Christopher Landau, Deputy Secretary of State (número 2 da diplomacia americana), e com Darren Beattie, Senior Advisor for Brazil Policy. O Senador estava acompanhado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
Flávio Bolsonaro no Departamento de Estado com Christopher Landau, Deputy Secretary of State (número 2 da diplomacia americana), e com Darren Beattie, Senior Advisor for Brazil Policy. O Senador estava acompanhado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
Foto: Divulgação/Acervo Pessoal Paulo Figueiredo / Estadão

Na véspera, o senador relatou ter dito a Trump que apoiará a medida se for eleito e que também vai levar o Brasil a aderir à coalizão política e militar Escudo das Américas, lançada em março pelo republicano com apoio de 17 países para promover ações militares no combate ao narcotráfico. Flávio Bolsonaro afirmou que fez um "pedido expresso" a Trump para enquadrar as facções PCC e CV.

A reunião ocorreu com Christopher Landau, secretário de Estado adjunto (o número dois da diplomacia americana), e com Darren Beattie, consultor sênior de Políticas para o Brasil. Eles não foram recebidos por Marco Rubio - o secretário de Estado acaba de voltar de viagem e participou de reuniões com o presidente Trump.

O objetivo da designação pelos EUA é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

Embora a lei americana não autorize ataques militares a partir de tal designação, é comum que organizações tachadas de terroristas sejam alvo militares dos EUA fora de seu território. Trump vem sendo questionado também por não pedir aval do Congresso ou do Conselho de Segurança das Nações Unidas para ataques militares. Algo similar ocorreu na Venezuela.

Antes da operação militar em Caracas para capturar o ditador Nicolás Maduro, os EUA designaram como terroristas as facções venezuelanas Tren de Aragua e Cartel de Los Soles. O Departamento de Justiça dos EUA chegou a acusar formalmente Maduro de liderar Los Soles, mas depois recuou.

O argumento do combate ao narcotráfico foi usado pelo governo Trump para posicionar embarcações e aeronaves no Mar do Caribe. Eles bombardearam barcos de pequeno porte acusados de transportar drogas, sem que tenham demonstrado a atividade ilegal ou violenta deles, e posteriormente serviram de base para o ataque que derrubou Maduro.

Interlocutores da diplomacia citam ainda o risco de que o sistema financeiro brasileiro seja alvo de sanções americanas, por causa do fluxo de dinheiro do crime organizado, mesmo bancos não tenham conhecimento da origem ilícita dos recursos.

Estadão
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