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FGV/Kfoury: discurso foi melhor formulado, mas conserva teoria conspiratória

22 set 2020
14h32
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O presidente Jair Bolsonaro fez um discurso defensivo na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU, afirmando que há um complô para piorar a imagem do Brasil no mundo devido a interesses comerciais e políticos. A afirmação é do economista e professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV) Marcelo Kfoury.

Para Kfoury, o discurso de Bolsonaro foi melhor formulado e argumentado em comparação às lives e a outras falas de improviso. "De qualquer forma, ainda podemos notar essa teoria conspiratória sobre os interesses escusos, ainda que de uma maneira um pouco mais implícita do que o habitual", afirmou.

"Num discurso bastante defensivo, Bolsonaro procurou mostrar que o governo brasileiro combate vigorosamente os incêndios no Pantanal e na Amazônia. O mote do discurso foi demonstrar a importância do Brasil como celeiro do mundo, alegando que o País produz 1/6 do alimento mundial e só utiliza 27% da área do País para isso. Além de afirmar que o País combate tenazmente os incêndios criminosos", observou o economista.

Bolsonaro, conforme observou Kfoury, disse que no caso da Amazônia os incêndios só ocorrem em áreas já desmatadas, dada as tradições milenares de índios e caboclos e, no caso do Pantanal, devido ao clima e acúmulo de material orgânico.

"Há sempre uma desculpa de que a publicidade negativa é uma política deliberada de desinformação visando prejudicar o País comercialmente e o seu próprio governo", disse o economista.

Ainda de acordo com Kfoury, é relevante salientar que o presidente e a sua base de apoio não conseguem entender que há preocupação genuína e legítima com o meio ambiente em todo o mundo e, mesmo no Brasil, sendo esse clamor universal e não apenas um complô contra a sua pessoa e seu governo.

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Estadão
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