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Faria processa ex-chanceler por calúnia, injúria e difamação

Ex-ministro das Relações Exteriores sugeriu, em entrevista, que ministro das Comunicações é um dos responsáveis por 'transformar o Brasil em colônia chinesa' ao citar negociações pelo 5G.

20 jan 2022 18h21
| atualizado às 18h57
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O ministro das Comunicações Fábio Faria entrou com um processo na Justiça contra o seu ex-colega de governo, o ex-chanceler Ernesto Araújo, por calúnia, injúria e difamação. A queixa-crime, apresentada nesta quinta-feira, 20, à 7ª Vara Criminal de Brasília, teve como motivação declarações feitas por Araújo durante o programa ConversaTalk.

Ministro das Comunicações, Fábio Faria. 17/6/2020. REUTERS/Adriano Machado
Ministro das Comunicações, Fábio Faria. 17/6/2020. REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Na ocasião, o ex-ministro das Relações Exteriores afirmou que pessoas e partidos do Centrão querem uma política externa que "está transformando o Brasil em uma colônia chinesa". Ele citou Faria como um dos responsáveis por isso. Segundo Araújo, o atual ministro das comunicações teria entregue o "5G para a China".

"Esse 'Centrão' que veio aí é um 'Centrão' que acha que política externa é fazer tudo que a China quer. Não sei qual é o grau de interesse econômico que essas figuras aí que o senhor citou, outras, têm com a China. Mas é óbvio que há uma imbricação muito pequena, de perto entre partidos do 'Centrão', pessoas do 'Centrão' e a China", disse Araújo.

"O senhor citou três pessoas que são chaves nisso: Ciro Nogueira, Fábio Faria, que entregou o 5G para a China, e Fábio Arruda", acrescentou o ex-chanceler, afirmando que os eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL), conservadores, precisavam saber disso. As declarações ocorreram no mês passado.

Faria anunciou a abertura do processo através das redes sociais. Ele aproveitou para se defender. "Enquanto a gente trabalha pelo Brasil, uns só atrapalham. A partir de agora, mentiras e teorias esdrúxulas, fruto de criações mentais, serão tratadas na justiça."

Em live na última segunda-feira, Ernesto Araújo voltou a criticar as alianças de Bolsonaro com parlamentares do Centrão, novamente citando a China. Enquanto esteve à frente do Itamaraty, Araújo foi criticado por ofender e criar atritos com o país asiático, um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Ele estava acompanhado do ex-ministro da educação Abraham Weintraub, que vem colecionando embates com apoiadores do presidente. Ambos ex-ministros faziam parte da ala "ideológica" do governo, tendo como guru o escritor Olavo de Carvalho.

Assim como Araújo, Olavo e Weintraub estavam presentes no Conversa Talk que rendeu o processo para o ex-chanceler. Na ocasião, Olavo afirmou que sentiu usado por Jair Bolsonaro e que o presidente o fez de "poster boy" para se eleger - termo em inglês que remete a "garoto propaganda". "Depois disso até meus amigos que estavam no governo ele tirou", afirmou.

Estadão
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