Estudante é preso por tentar jogar tomate em deputado no RS
- Fabiana Leal
- Direto de Porto Alegre
Um manifestante, que acompanhava a sessão no plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na qual deverá ser votado o processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB), foi preso em flagrante por perturbação da ordem e resistência após tentar jogar um tomate contra o deputado Coffy Rodrigues (PSDB). O protesto pretendia atingir algum deputado da base aliada para tentar impedir a votação a favor do arquivamento do pedido de impeachment.
Márcio Duarte, estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e militante do movimento estudantil, foi levado para a sala da segurança da Assembleia para averiguação. De acordo com os agentes de segurança, a mesa diretora deverá decidir sobre o procedimento a ser tomado em relação ao rapaz, que deverá ser liberado ainda hoje.
O estudante, 26 anos, afirmou que cuidou a movimentação dos seguranças antes de arremessar o tomate contra o deputado. O objetivo era acertar Rodrigues enquanto ele estivesse na tribuna, mas, devido à aproximação dos seguranças, decidiu jogar momentos antes e o tomate não atingiu o parlamentar.
De acordo com Duarte, o produto era único e foi comprado momentos antes da sessão por R$ 0,60 em um mercado nas proximidades da Assembleia. "Sempre revistam e achei que não ia passar. A intenção não era de violência", disse Duarte, que também acrescentou que agiu por impulso. "Não queríamos danificar o patrimonio público e não podíamos machucar ninguém, o tomate foi uma alternativa", declarou.
Duarte também explicou que o objetivo era acertar algum deputado da base aliada. A relatora da Comissão Especial do Impeachment na Assembleia, Zilá Breitenbach (PSDB), foi logo descartada como alvo porque, segundo o estudante, pelo fato de ser uma mulher a atitude poderia soar como uma agressão. "O Coffy Rodrigues tem faltado às sessões da CPI e tem sido testa-de-ferro do governo", afirmou.
O estudante foi levado para o departamento médico da Assembleia para ser submetido a exames médicos, já que, ao deixar o plenário, se machucou em um incidente com um dos seguranças. "Corri para a porta (giratória) e algum segurança colocou a perna", afirmou Duarte, que acrescentou que é "o trabalho dele". "Eu assumi esta responsabilidade", concluiu o estudante.
O deputado Dionilso Marcon (PT), que assistiu o incidente, afirmou que o atrito com os seguranças da Assembleia foi desnecessário. "Acho que é um movimento social e que é preciso ter negociação ao invés de repressão".
Ânimos exaltados
Em outro incidente ocorrido hoje dentro da Assembleia Legislativa gaúcha, o estudante de Biologia Henrique Porto Lusa, 25 anos, alega que foi agredido na saída do banheiro por um homem defensor da governadora Yeda Crusius (PSDB).
"Fui no banheiro e um senhor entrou depois. Vi que ele lavava as mãos e, quando saí, disse que ia me pegar e dar coronhadas lá fora para eu ficar quieto. Quando tentei sair ele me impediu", afirmou Lusa. De acordo com o estudante, o homem teria acertado uma cabeçada no seu nariz no corredor logo após ele deixar o banheiro. "Duas senhoras da limpeza viram. Registrei processo administrativo na Casa", afirmou. Segundo o estudante, o homem que o agrediu estava usando um adesivo do movimento "Povo da Yeda".
O pedido de impeachment contra a governadora foi feito no dia 9 de julho pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul, alegando crime de responsabilidade. O governo da tucana tem sido alvo de denúncias desde a Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou um esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo o Ministério Público.
A base de aliados do governo confia que o processo de impeachment deverá ser arquivado pelo Plenário, que no último dia 8 já aprovou um relatório da Comissão Especial defendendo o não recebimento do pedido de impeachmet. A oposição aguarda por um mandado de segurança, que poderá evitar a conclusão da votação.