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Política

Empresas depositaram R$ 29 mi a firmas de fachada de doleiro

Alberto Youssef é um dos investigados na operação Lava Jato

17 nov 2014 - 19h44
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<p>Empresas de Youssef (foto) eram usadas para receber o dinheiro pago pelas empreiteiras</p>
Empresas de Youssef (foto) eram usadas para receber o dinheiro pago pelas empreiteiras
Foto: Twitter

O esquema funcionava da seguinte forma: as empreiteiras formavam um cartel para conseguir as obras da Petrobras e com a conivência de funcionários e agentes políticos conseguiam acertar quem venceria a licitação. O valor era superfaturado em ao menos 3% para o pagamento da propina. A empresa vencedora da licitação então repassava os recursos para os operadores do sistema, responsáveis pela distribuição do dinheiro.

Em alguns casos, empresas terceirizadas faziam os repassasses no lugar das empreiteiras. As empresas de Youssef usadas para receber o dinheiro eram a MO Consultoria, a Empreiteira Rigidez, a RCI Software e a GDF Investimentos, que eram de propriedade do doleiro, ou que estavam em nome de laranjas, mas que como ele mesmo confirmou em depoimento à Justiça, eram empresas de fachada.

No decorrer das investigações as empreiteiras e consórcios que tinham negócios e fizeram depósitos nas contas das empresas de fachada de Yousseff foram questionadas pela Polícia Federal sobre o motivo das transferências. Desde 2010 os valores depositados por cinco empresas somam mais de R$ 29 milhões.

Esses pagamentos eram justificados como serviços de consultoria, mas apesar da elaboração de um contrato e do pagamento, os serviços não eram realizados. 

Entre as empresas que admitiram os depósitos nas contas das empresas de Alberto Youssef estava a OAS, que confirmou pouco mais de R$ 6,9 milhões transferidos para as empresas Empreiteira Rigidez, MO Consultoria e RCI Software. Foram apresentando contratos e notas fiscais mas “todos com suspeita de terem sido produzidos fraudulentamente”, diz a Justiça com base nas investigações feitas pela Polícia Federal. Para as autoridades, não foram justificadas ou esclarecidos os motivos das transações.

A Engevix também confirmou depósitos de pouco mais de R$ 6,9 milhões nas contas da MO Consultoria, da GFD Investimentos e da Empreiteira Rigidez, admitindo, em resposta à Polícia Federal, que “os pagamentos foram feitos em favor de Alberto Youssef", entretanto alegou que o pagamento foi feito por serviços efetivamente prestados de "estratégia organizacional, recomendações sobre como encaminhar demandas e formular propostas ao cliente, e vice-versa, sugestões acerca de como encaminhar as inúmeras exigências e demandas vindas da PETROBRAS”, segundo reprodiziu o despacho judicial que autorizou a prisão de 25 diretores e funcionários de empreiteiras suspeitas de participação no esquema.

A Investminas Participações S/A confirmou o pagamento de R$ 4,6 milhões à MO Consultoria em conta indicada por Alberto Youssef, mas alega que foi referente a serviços de venda de ações de empresas de energia, alegando que ele seria “empresário que, à época, detinha conhecimento do setor elétrico e reconhecida expertise na área de assessoria comercial”. O negócio, segundo a polícia, não teria relação com os desvios da Petrobras, mas é considerado suspeito pelas autoridades por conta das provas documentais apresentadas terem indícios de que foram produzidas de forma fraudulenta.

A Coesa Engenharia pagou R$ 2,5 milhões para a MO Consultoria e para a empreiteira Rigidez, apresentando contratos e notas fiscais com suspeita de terem sido produzidas de forma fraudulenta. Para as autoridades policiais não foram esclarecidas ou justificadas as transações.

A Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A confirmou à polícia o pagamento de R$ 2,1 milhões para a Empreiteira Rigidez e para a GDF Investimentos, apresentando documentação com suspeita de fraude, além de não justificar ou esclarecer as  transações.

“Afinal, repita-se, três das empresas, MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e RCI Software, são inexistentes de fato, não prestaram qualquer serviço técnico e foram utilizadas apenas para impressão de contratos e notas fiscais fraudulentos. A quarta, GDF Investimentos, embora existente, trata-se de empresa destinada à colocação e proteção do patrimônio de Alberto Youssef, não tendo igualmente qualquer serviço técnico às empreiteiras. Se há causa econômica lícita, falharam as empreiteiras em esclarecê-los e justificá-los”, diz um trecho do despacho judicial que autorizou as prisões deflagradas na semana passada.

Na sétima fase da operação Lava Jato nove diretores e funcionários da OAS, Engevix e da Mendes Júnior foram presos temporária ou preventivamente, além de terem sido cumpridos outros 20 mandados de busca e apreensão nas sedes e residências de suspeitos ligados a estas empresas.

Em contato com o Terra, a Engevix afirmou que “a empresa, por meio dos seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”. Já a OAS informa que "foram prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal, em visita à sua sede em São Paulo. A empresa está à inteira disposição das autoridades e vai continuar colaborando no que for necessário para as investigações”. A Mendes Júnior Trading e Engenharia, por sua vez, informa que "não se pronuncia sobre inquéritos e processos em andamento".

A GPI Participações, cotroladora da InvestMinas informou que em relação ao questionamento sobre aos negócios com a MO Participações, "a GPI Participações esclarece que já prestou todas as informações solicitadas pelas autoridades e que não irá se manifestar sobre o assunto enquanto ele estiver sob a análise dos órgão competentes.” Já na Coesa Engenharia, ninguém foi encontrado para comentar o caso.

Fonte: Terra
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