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Dirceu diz que PT tem que ver onda de protestos como 'novo desafio'

Ex-ministro condenado no por envolvimento no mensalão defende reforma política que 'dê maior poder ao Legislativo'

10 set 2013
11h27
atualizado às 13h09
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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou nesta terça-feira que o partido deve considerar a onda de protestos que ocorre no País desde o mês de junho como um "novo desafio", já que as manifestações reclamam de questões relacionadas principalmente à última década, período em que o Brasil foi governado pela legenda. "Felizmente a juventude brasileira tem novos sonhos. (...) Nós temos que olhar isso como um novo desafio", disse Dirceu, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no esquema do mensalão. Ele concedeu uma entrevista à Fundação Perseu Abramo (FPA), do Partido dos Trabalhadores.

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, defendeu a reforma política no País, em entrevista à FPA
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, defendeu a reforma política no País, em entrevista à FPA
Foto: Marcio de Marco / FPA / Divulgação

Dirceu afirmou que os jovens manifestantes buscam "novos direitos sociais", como melhor qualidade em saúde, educação, e transporte público, e defendeu que o País passe por uma "reforma política, eleitoral, institucional", que dê "maior poder ao Legislativo". "Essa democracia representativa, política, está em crise no Brasil", disse o ex-ministro.

"O sistema político é dominado pelo dinheiro. (...) O que existe no Brasil encarece muito a campanha eleitoral, induz muito à busca por financiamento privado", afirmou. "É preciso discutir o papel do Senado", disse ele.

Para o ex-ministro, o Congresso Nacional não fez seu trabalho ao não propor uma reforma política. Por isso, ele defendeu o plebiscito que foi proposto pela presidente Dilma Rousseff em resposta aos protestos de junho.

Direita tem discurso no passado
José Dirceu ressaltou os avanços alcançados pelo País nos últimos 10 anos, e criticou partidos de direita por não reconhecerem esse progresso. "A direita brasileira está sem discurso no momento, esta com o discurso no passado", disse ele. "Ela não consegue pensar no Brasil como ele é. O Brasil é uma grande nação, e a direita brasileira não vê o Brasil como uma grande nação." 

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR(ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson. Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas. A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão.

Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

No dia 17 de dezembro de 2012, após mais de quatro meses de trabalho, os ministros do STF encerraram o julgamento do mensalão. Dos 37 réus, 25 foram condenados, entre eles Marcos Valério (40 anos e 2 meses), José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses) e Delúbio Soares (8 anos e 11 meses). A Suprema Corte ainda precisa publicar o acórdão do processo e julgar os recursos que devem ser impetrados pelas defesas dos réus. Só depois de transitado em julgado os condenados devem ser presos.

Fonte: Terra
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