Desemprego entre jovens de 18 a 24 anos atinge 12%, o dobro da média nacional
Segundo a metodologia adotada pelo IBGE, considera-se desempregada a pessoa com 14 anos ou mais que não está trabalhando, mas que está disponível e em busca de trabalho.
O desemprego no Brasil continua a afetar com mais intensidade a população jovem. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, a taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 12% no segundo trimestre de 2025, o dobro da média nacional, que está em 5,6%.
Segundo a metodologia adotada pelo IBGE, considera-se desempregada a pessoa com 14 anos ou mais que não está trabalhando, mas que está disponível e em busca de trabalho. Portanto, não basta estar sem emprego para ser classificado como desempregado: é necessário estar ativamente procurando uma vaga.
A situação dos jovens é especialmente preocupante. Embora estejam em idade economicamente ativa, muitos enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho formal. Falta de experiência, baixa qualificação profissional e concorrência elevada são alguns dos principais obstáculos. Ao mesmo tempo, muitos jovens ainda estão em processo de formação educacional, o que também pode limitar sua disponibilidade para empregos em tempo integral.
A diferença entre as faixas etárias é significativa. Enquanto o desemprego entre os jovens de 14 a 17 anos é ainda mais alto, chegando a 21,7%, entre os adultos de 25 a 39 anos a taxa cai para 5,5%, e entre pessoas de 40 a 59 anos é de apenas 3,9%. A menor taxa está entre os trabalhadores com 60 anos ou mais: 2,3%. Esses dados mostram que o mercado tende a favorecer profissionais com mais experiência, o que acaba excluindo muitos jovens, especialmente os que buscam o primeiro emprego.
Vale lembrar que a taxa de desocupação considera apenas aqueles que estão na força de trabalho — ou seja, pessoas com idade para trabalhar que estão ocupadas ou procurando trabalho. Jovens que estudam em tempo integral, por exemplo, são classificados como fora da força de trabalho, pois não estão disponíveis ou não estão procurando emprego no momento da pesquisa.
O desemprego entre os jovens também está fortemente ligado à subutilização da força de trabalho, que engloba situações como subocupação por insuficiência de horas trabalhadas, desalento (quando a pessoa desistiu de procurar trabalho por acreditar que não vai encontrar) e outras formas de exclusão do mercado formal.
Diante desse cenário, políticas públicas voltadas à qualificação profissional, acesso ao primeiro emprego e incentivo à contratação de jovens tornam-se cada vez mais urgentes. O desafio é criar oportunidades reais e sustentáveis para que essa parcela da população possa se integrar de forma produtiva e digna ao mundo do trabalho.