Defesa de Bolsonaro diz que não há provas contra o presidente e questiona delação premiada de Cid
Segundo alegações finais enviadas ao STF, Bolsonaro deveria ser absolvido por falta de provas contra ele no julgamento da tentativa de golpe
Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não há provas incriminatórias contra ele e que, portanto, os cinco processos nos quais ele é réu deveriam ser anulados. Segundo as alegações finais enviadas nesta quarta-feira, 13, a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid é inválida judicialmente e todas as decisões baseadas nela deveriam ser desconsideradas.
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A defesa de Bolsonaro afirma que ele nunca agiu para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro de 2023 nem dificultou a transição de governo. “Em momento algum Jair Bolsonaro praticou qualquer conduta que tivesse por finalidade impedir ou dificultar a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo contrário, sempre defendeu e reafirmou a democracia e o Estado de Direito”, diz o ofício.
Para os advogados, as delações do ajudante de ordens de Bolsonaro são inválidas à medida em que apenas alguns de seus trechos foram utilizados no processo. Outras críticas ao processo incluíam questionamentos à cobertura da imprensa no caso e a um suposto cerceamento da defesa, que não teria tido acesso às provas.
O documento aponta que o ex-presidente não integrou nenhum grupo ou organização criminosa que viria a conspirar contra a democracia. Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), Bolsonaro não só participou da organização da tentativa de ruptura institucional como liderou o grupo antidemocrático.
"As constatações da PGR somam-se à ausência de provas de participação ou mesmo ciência do Peticionário a respeito dos planos que se desenvolviam enquanto mantinha suas atividades funcionais relacionadas à transição do governo", segundo a defesa.
Os réus podem enviar as alegações finais até às 23h59 desta quarta-feira. Após esta etapa, o ministro Alexandre de Moraes poderá produzir seu relatório e solicitar uma data para o julgamento do processo na Primeira Turma do STF. Caberá ao ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma, oficializar a data.
Integram ao grupo chamado "núcleo central" da trama golpista Alexandre Ramagem, Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto. Com exceção de Ramagem, todos respondem por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Os sete réus tiveram prazo final fixado nesta terça-feira, 13, às 23h59. Mauro Cid, delator, enviou sua defesa anteriormente. Na sequência, o ministro do STF Alexandre de Moraes elaborará seu voto e o caso será julgado pela Primeira Turma. O ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma, será responsável por escolher a data do julgamento. Conforme o Estadão, as sessões das terças-feiras do mês de setembro foram reservadas para tratar do assunto.
Até as 22h15 desta terça, apenas o comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, não havia enviado sua defesa final. Todos o demais pediram absolvição.
