Dallagnol, Ducci e Pimentel: saiba quem são os pré-candidatos à Prefeitura de Curitiba
Diante da impossibilidade do atual prefeito Rafael Greca concorrer novamente, o novo ocupante do Palácio 29 de Março ainda está longe de ser definido
Após dois mandatos consecutivos, o prefeito Rafael Greca (PSD) não poderá concorrer novamente. Por conta disso, deve lançar seu vice-prefeito Eduardo Pimentel, do mesmo partido, e contará ainda com o apoio do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Já a oposição segue indefinida, com a candidatura incerta do ex-deputado Deltan Dallagnol após ter seu registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e uma dificuldade de união em torno de um nome por parte da esquerda curitibana.
Nas últimas eleições, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não apenas derrotou Luís Inácio Lula da Silva em Curitiba como também teve lá a maior votação proporcional de uma capital. Foram 720.322 votos, o equivalente a 64,78% do total dos que foram votar. No entanto, o professor e cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Bruno Bolognesi acredita que o bolsonarismo não deve ter tanta influência nas eleições municipais de 2024, apesar de ainda apresentar um impacto residual.
"Candidaturas locais requerem pautas locais. Não dá para definir cenários com base em pautas nacionais. É algo muito do dia a dia", diz o professor. "Curitiba tem uma influência muito forte da Lava Jato. Por aqui, Dallagnol e (Sérgio) Moro têm características de celebridades. Não há uma identificação tão forte com a figura de Bolsonaro", explicou ele.
Sergio Moro (União Brasil) e Deltan Dallagnol (Novo) obtiveram excelentes resultados nas eleições de 2022. Com quase 2 milhões de votos, o ex-juiz foi eleito senador com 33,5% dos votos válidos. Já o ex-procurador da Lava Jato foi o deputado mais votado do Paraná, com aproximadamente 344 mil votos.
Depois da perda de seu mandato com base na Lei da Ficha Limpa, Dallagnol ainda tentou recurso no TSE para reverter a cassaçã,o mas foi rejeitado. O tribunal julgou que o ex-deputado cometera uma irregularidade ao solicitar sua exoneração do cargo de procurador da República para concorrer às eleições, enquanto ainda era alvo de 15 processos administrativos no Conselho Nacional do Ministério Público.
Atualmente, o ex-deputado não tem perspectiva de recuperar o seu cargo e, por isso, anunciou a desistência de apresentar outro recurso, dessa vez ao Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, há expectativa de que sua esposa, Fernanda Dallagnol, também recém-filiada ao Novo, concorra à prefeitura. Sua participação no pleito ainda é uma incógnita.
Já entre a esquerda, a maioria dos partidos gostaria de uma frente ampla contra o projeto em vigor atualmente. Porém, o grupo encontra dificuldades para se reunir em torno de uma candidatura capaz de chegar ao segundo turno. O mais cotado é o ex-prefeito Luciano Ducci (PSB), visto como viável por parte majoritária do PT, inclusive pelo líder da sigla no Paraná, Arilson Chiorato. Em contrapartida, setores mais à esquerda e o PSOL são contrários a apoiá-lo por conta de ele já ter sido oposição ao PT, além de vice-prefeito na gestão de Beto Richa (PSDB).
Para o presidente do PSOL de Curitiba, Gabriel Feltrin, a posição de apoiar Ducci se trata de um desvirtuamento da esquerda e da real representação das causas populares. "Ele votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, está na base do governo de Ratinho Júnior e apoiou Jair Bolsonaro com uma postura envergonhada. Nos espanta a posição do PT", afirma.
A professora e cientista política da Universidade Federal do Paraná, Carolina Roeder, acredita que há uma divisão na esquerda da cidade entre quadros mais antigos voltados ao trabalhismo e candidaturas mais jovens e mais relacionadas a pautas identitárias. "Há uma questão nesse sentido, se há uma pretensão de manter as coisas como estão ou apostar em lideranças fortes para o futuro, como Carol Dartora ou Renato Freitas", diz.
No entanto, de acordo com a cientista, a esquerda na cidade ainda é muito fraca. "Curitiba sempre foi vista por fora como referência em urbanismo, com ênfase no nível estético. Temas sociais como os propostos pelo PT não são tão caros à população", afirma. "Gustavo Fruet não se reelegeu por conta disso e de outros fatores, como problemas de comunicação."
Fruet (PDT) foi o último prefeito de centro-esquerda a governar o município. Em 2016, ele perdeu a reeleição para Greca, não conseguindo chegar nem ao segundo turno. Greca, por sua vez, se reelegeu ainda no primeiro turno em 2020 com 59,74% derrotando Goura Nataraj (PDT), que conquistou 13,26%.
Confira abaixo cada um dos pré-candidatos à prefeitura de Curitiba:
Eduardo Pimentel (PSD)
Eduardo Pimentel Slaviero ainda é um tanto desconhecido na cidade. Ele iniciou sua carreira dentro de empresas de sua família. Depois, foi diretor de marketing da Fundação Cultural de Curitiba, diretor-geral da Central de Abastecimento do Paraná S/A (Ceasa) e subchefe da Casa Civil do Governo do Paraná.
Atual vice-prefeito da cidade desde 2017, ele é pré-candidato e deve ser lançado pelo atual, Rafael Greca, e pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior. A troca de apoios deve dar continuidade ao acordo estabelecido entre ambos os líderes políticos, reeleitos em 2020 e 2022, respectivamente.
Neto do ex-governador do Paraná e ex-presidente de uma retransmissora do SBT, ele também é Secretário de Estado das Cidades do Paraná (SECID) e seu irmão, Daniel Pimentel, é presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) desde 2019.
Em contrapartida, Pimentel nunca exerceu cargo eletivo. A única vez que concorreu a um cargo foi em 2010, quando tentou ser vereador pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e perdeu. Seus adversários apontam que ele ainda não é tão conhecido na cidade, mas pode crescer muito por conta do apoio das máquinas municipal e estadual.
Fernanda Dallagnol (Novo)
Fernanda Dallagnol, recém filiada ao Partido Novo, é esposa do ex-procurador da República e ex-deputado federal Deltan Dallagnol. Sua eventual candidatura é possível, apesar de não ser confirmada e nem negada. Empresária, advogada e mestre em Harvard, Fernanda se inscreveu num curso de formação de lideranças políticas do RenovaBR, iniciativa de renovação política capitaneada pelo empreendedor e investidor Eduardo Mufarej.
Espera-se que ela consiga capturar o espólio eleitoral lavajatista de Dallagnol, que desistiu de tentar reverter sua cassação.
Paulo Martins (PL)
Bolsonarista e crítico feroz do STF, Paulo Eduardo Martins concorreu ao Senado pelo Paraná com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua votação foi expressiva e atingiu 29,12%, superando um nome histórico como Álvaro Dias (Podemos) e perdendo por pouco para Sérgio Moro, que obteve 33,50%. Na época, ele era deputado federal.
No entanto, há ainda a esperança de uma ala de seu partido de haver uma eleição suplementar ao Senado e que ele assuma o cargo interinamente enquanto isso. O PL de Martins lançou um pedido de cassação da candidatura do senador Moro à Justiça Eleitoral. Em parecer na última semana, o Ministério Público Eleitoral (MPE) também defendeu a cassação, que ainda precisa ser julgada.
O motivo seria o alto gasto do ex-juiz durante a pré-campanha de 2022 enquanto ainda era do Podemos. Pelas regras do TSE, o máximo de gastos possíveis para uma campanha ao Senado deve ser R$ 4,4 milhões de reais. Se os valores fossem corrigidos com a adição do período em que Moro estava no partido de Álvaro Dias, o valor seria ultrapassado.
O Estadão tentou entrar em contato com o o presidente do Partido Liberal do Paraná, Giacobo, mas não obteve retorno.
Ney Leprevost (União Brasil)
O deputado estadual Ney Leprevost já foi candidato pelo PSD à prefeitura de Curitiba em 2016, quando perdeu no segundo turno para Rafael Grega, por 46,74% a 53,25%. Também foi deputado federal, eleito em 2018, e, em seguida, convidado pelo governador Ratinho Júnior a assumir a Secretaria da Justiça, da Família e do Trabalho.
Sua pré-candidatura a 2024 é dada como certa por ele mesmo, que terá o comando do partido em Curitiba no ano que vem. No entanto, existe a possibilidade do União Brasil tentar compor com Eduardo Pimentel (PSD).
Além disso, o ex-senador, Sérgio Moro, que é do mesmo partido de Leprevost, encomendou pesquisas de intenção de voto para testar o nome de sua esposa, Rosângela Moro, atualmente deputada federal por São Paulo, para a disputa municipal. Não há nenhum respaldo oficial do partido para a candidatura da advogada até o momento.
Luciano Ducci (PSB)
Luciano Ducci (PSB) é médico e descendente de imigrantes italianos. Foi eleito pela primeira vez como deputado estadual em 2002 e entre seus feitos está uma lei que proíbe a discriminação dos portadores de HIV. Sua candidatura a prefeitura de Curitiba já é um fato consolidado.
No momento, o desejo do pré-candidato é conquistar o apoio do presidente Lula e do resto do PT, embora considere naturais as divergências. O ex-prefeito acredita que o apoio do petista seria "natural". O seu partido, o PSB, é o mesmo do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e compõe a base do governo federal.
Entretanto, Ducci já foi vice-prefeito entre 2005 e 2010 na gestão de Beto Richa (PSDB) e prefeito entre 2010 e 2012, período em que foi oposição ao PT. Por conta disso, alas da esquerda divergem do eventual apoio da sigla à sua candidatura.
Carol Dartora (PT)
Ana Carolina Moura Melo Dartora foi a deputada federal mais votada do Estado nas eleições de 2022 e a primeira mulher negra a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Paraná. Além de historiadora, sindicalista e professora, Carol Dartora é militante da Marcha Mundial das Mulheres e do Movimento Negro e já atuou como secretária da Mulher Trabalhadora e Direitos LGBT da APP Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná).
Ela já foi vereadora, alcançando a posição de terceira candidata mais votada de 2020, e é autora da lei municipal 15.931/2021, que implantou um sistema progressivo de cotas raciais em concursos públicos na cidade.
No entanto, a pré-candidata sofre com falta de apoio interno do partido, principalmente das alas mais pragmáticas que desejam compor com o eventual futuro vencedor do pleito. Parte da sigla acredita que ela não seria capaz de ter votos suficientes para ultrapassar o candidato do prefeito Rafael Greca. Além disso, para eles, o bolsonarismo e o lavajatismo ainda são muito fortes.
Também há outros candidatos ventilados dentro do PT como Arilson Chiorato e Zeca Dirceu. Todos devem ser testados numa discussão programada para ocorrer em dezembro, que deve definir os rumos do partido na eleição municipal.
Goura Nataraj (PDT)
João Gomes de Oliveira Brand, mais conhecido como Goura Nataraj, é um professor de ioga, cicloativista, filósofo, e defensor das causas ambientais. Já foi vereador e atualmente é deputado estadual reeleito. Além disso, concorreu na última eleição municipal, quando perdeu para o atual prefeito ainda no primeiro turno.
Nataraj é presidente do PDT no Paraná e sua pré-candidatura é considerada confirmada. Ele também pleiteia o apoio do presidente Lula, do qual seu partido é base, além de almejar uma frente ampla com os partidos de esquerda como Rede, PSOL e PSB. Seu partido foi o único fora da direita a governar a cidade, com a gestão de Gustavo Fruet.
Ao todo, são sete pré-candidatos:
- Eduardo Pimentel (PSD), vice-prefeito de Curitiba;
- Fernanda Dallagnol (Novo), advogada e esposa do ex-deputado federal, Deltan Dallagnol;
- Paulo Martins (PL), ex-deputado federal;
- Ney Leprevost (União), deputado estadual;
- Luciano Ducci (PSB), deputado federal e ex-prefeito de Curitiba;
- Carol Dartora (PT), deputada federal;
- Goura Nataraj (PDT), deputado federal.