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Política

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Com versículos bíblicos e pauta eleitoral, PT lança carta aos evangélicos para 2026

Documento publicado hoje rejeita ideia dos evangélicos como bloco político único e critica uso eleitoral da fé

8 jun 2026 - 22h54
(atualizado em 9/6/2026 às 07h28)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O Partido dos Trabalhadores (PT) publicou nesta segunda-feira, 8, uma carta aberta direcionada ao eleitorado evangélico. O documento mistura citações bíblicas com propostas de governo e defende a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

O documento é assinado pelo IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, que ocorreu em Brasília.

A carta rejeita a ideia de que os evangélicos brasileiros como um bloco político único e afirma que o encontro não pretende falar em nome de todas as denominações. Além disso, critica a "tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política".

A carta é estruturada em torno de versículos bíblicos que funcionam como moldura para cada bloco temático. O documento abre com uma passagem de Isaías cujo texto trata de libertar oprimidos e repartir alimento com famintos, e recorre a Tiago, Mateus, Efésios e Pedro ao longo do texto — sempre ancorando as posições políticas em referências do Novo Testamento.

Entre as propostas, o documento defende a ampliação de programas sociais já existentes, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e a Farmácia Popular, e apoia medidas em curso no governo Lula, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1. A carta também fala sobre o fortalecimento da agricultura familiar e da Reforma Agrária, políticas de primeiro emprego para a juventude, atenção integral à saúde da mulher e garantia de acesso da população negra ao sistema de justiça.

O texto trata, ainda, da soberania e da proteção das florestas, das águas e da biodiversidade — e usa a expressão "Casa Comum", associada ao papa Francisco.

O encontro desta segunda aconteceu em meio a um conflito da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia. Ele criticou os encontros que ela vem realizando com mulheres evangélicas, chamando suas interlocutoras de "insignificantes". Janja reverteu o adjetivo contra ele e afirmou não o reconhecer como pastor.

O PT tem dificuldade de atrair os votos evangélicos e a carta é um aceno em direção a este eleitorado. Segundo o Censo do IBGE de 2022, evangélicos representavam 26,9% da população brasileira, e 55,4% desse total eram mulheres. Pesquisa indicam grande desvantagem de Lula neste especto. Além disso, no início do ano, o presidente se viu envolvido em uma crise com parte da comunidade evangélica em razão de uma ala do desfile da escola de samba que o homenageava e que satirizava grupos religiosos.

A própria Janja fez uma autocrítica durante o encontro, reconhecendo que o PT se isolou das igrejas ao longo dos anos.

Na última semana, evangélicos de diferentes denominações se reuniram na Marcha para Jesus. O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do PT nestas eleições, mas não com a de Lula. O presidente afirmou que decidiu não participar para "não passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado". Ele foi representado pelo ministro da AGU, Jorge Messias.

Estadão
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