Com a presença de Dilma e Lula, Luiz Gushiken é sepultado em São Paulo
Ex-ministro da Secretaria de Comunicação no governo Lula morreu na noite de sexta-feira, em decorrência de um câncer de estômago
O corpo do ex-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) do Palácio do Planalto Luiz Gushiken, 63 anos, foi enterrado às 16h30 deste sábado no cemitério do Redentor, na zona oeste de São Paulo. A cerimônia fechada, restrita à família e amigos próximos, contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Michel Temer e de diversos ministros, como Guido Mantega (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Educação).
Gushiken morreu na noite de sexta-feira, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vítima de falência de múltiplos órgãos, ocasionada por um sangramento e obstrução intestinal. Ele estava internado desde o início de agosto, dando entrada primeiramente no Hospital Nove de Julho, e lutava há 12 anos contra um câncer de estômago.
Lula e Dilma deixaram o cemitério sem falar com a imprensa. Também presente à cerimônia, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, um dos réus condenados no processo do mensalão, afirmou que o amigo deixou um legado de luta e coragem ao partido. "O PT precisa retomar o que o Gushiken pregou na Constituição de 88. Ele foi o responsável pela chegada de Lula ao poder", defendeu.
Quanto às acusações de envolvimento de Gushiken no escândalo do mensalão, Dirceu foi categórico. "Ele foi acusado, pré-julgado, condenado, linchado e, posteriormente, absolvido. Ele sempre me deu o braço me estimulando a lutar. Ele dizia que a fase heróica do PT foi o período do mensalão", disse. "Entre nós foi o melhor. Gushiken era o único que dizia para o Lula o que tinha de ser dito nos momentos mais difíceis", concluiu.
Fundador do PT, Gushiken foi absolvido no mensalão
Nascido na cidade de Osvaldo Cruz (SP) no dia 8 de maio de 1950, Luiz Gushiken cursou administração pela Fundação Getulio Vargas entre 1973 e 1979. Escriturário do antigo Banco do Estado de São Paulo (Banespa), onde chegou a assumir o cargo de diretor, presidiu o Sindicado dos Bancários do Estado entre 1985 e 1987.
Além de participar da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Gushiken foi um dos fundadores do PT em 1980. Deputado federal constituinte por São Paulo, presidiu o partido no final da década de 1980. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, foi membro titular de uma subcomissão na Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças. Atuou como deputado durante três mandatos consecutivos até 1999.
Após participar das campanhas presidenciais de Lula em 1989 e em 1998, Gushiken assumiu a chefia da Secretaria de Comunicação Social no primeiro mandato do então presidente. Deixou o cargo e o status de ministro em 2005, em meio a denúncias de tráfico de influência em contratos que supostamente beneficiaram a Globalprev, de sua propriedade.
Gushiken permaneceu no governo como chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência até novembro de 2006, após a reeleição de Lula, quando pediu exoneração do cargo. Na época, vieram à tona as denúncias do mensalão.
Acusado pelo Ministério Público de crime de peculato, Luiz Gushiken foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A alegação, na época, era que o ex-ministro tinha conhecimento do repasse irregular de R$ 73,8 milhões pelo Banco do Brasil à agência DNA Propaganda, de Marcos Valério. Em 2011, o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a absolvição de Gushiken por falta de provas.
Durante o julgamento, o ministro do STF Ricardo Lewandowski disse que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que acusou Gushiken, em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios em 2003, retirou a imputação quando ouvido em juízo durante o processo. Em maio deste ano, a absolvição de Gushiken foi oficializada pelo Supremo.