Clodovil foi das passarelas ao Congresso; veja trajetória
Estilista famoso, professor e comunicador, Clodovil Hernandes ficou conhecido por polemizar tanto na televisão, onde foi apresentador por mais de 40 anos, quanto no Congresso, onde exercia mandato de deputado federal desde 2007. Nascido em 17 de junho de 1937 em Elisiário, interior de São Paulo, Clodovil foi criado por pais adotivos.
Clô, como era chamado, nunca escondeu a imensa admiração que sentia pela mãe adotiva, Isabel. Ela também foi sua grande incentivadora para a costura. Clodovil se transformou no costureiro predileto de estrelas como a atriz Cacilda Becker e a cantora Elis Regina. O estilista ficou conhecido do grande público nos anos 70 quando foi vencedor do programa 8 ou 800?, apresentado por Paulo Gracindo, ao responder perguntas sobre Dona Beja. Clô deixou as agulhas de lado para se dedicar à televisão.
Na TV, Clodovil conduziu vários programas em diferentes emissoras. Na década de 1980, obteve sucesso na Rede Globo apresentando o programa TV Mulher, ao lado da sexóloga e futura prefeita de São Paulo Marta Suplicy. Na extinta Rede Manchete, conduziu o talk show Clodovil Abre o Jogo, no qual, ao fazer uma pergunta polêmica, apontava para a câmera e dizia ao convidado: "olhe para a lente da verdade e responda...", bordão que levou para programas em outras emissoras.
Parlamentar
Clodovil foi o quarto deputado federal mais votado nas eleições de 2006, com 493.951 de votos, pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). Deixou a sigla e ingressou no Partido da República (PR) em 2007. Em março deste ano, a Justiça eleitoral decidiu manter o mandato do deputado. Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entenderam que a mudança de partido foi justificada por uma grave discriminação pessoal ao parlamentar e, portanto, não se enquadrava na classificação de infidelidade partidária alegada pelo PTC.Entre os projetos apresentados por Clodovil durante os pouco mais de dois anos em que exerceu o mandato, está o que dispõe sobre restrições à exibição de imagens e notícias violentas pelas emissoras de televisão durante os horários das refeições, o que substitui o ramo de fumo pela cana-de-açúcar na representação das Armas Nacionais e o que incluindo entre os exames que devem ser oferecidos ao trabalhador, por conta do empregador, o exame de próstata para homens a partir dos 40 anos. Segundo a proposta, caso o exame apresente resultado positivo, o trabalhador deverá receber o tratamento psicológico necessário.
Em julho de 2008, o parlamentar apresentou à Mesa da Câmara proposta de emenda à Constituição (PEC) que visava a reduzir o número de deputados federais dos atuais 513 para 250. No entanto, a Secretaria-Geral da Mesa devolveu ao deputado a proposta porque o número de assinaturas necessárias para a apresentação da PEC foi insuficiente.
Polêmico
O histórico de polêmicas protagonizadas por Clodovil é longo e inclui acusações de racismo e de anti-semitismo. Após seu primeiro discurso em Plenário como deputado, em fevereiro de 2007, ele chamou então o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de "mal-educado". Clodovil não gostou de ter sido interrompido pelo petista, que queria iniciar a sessão plenária.
Quando eleito, Clodovil declarou que Brasília não seria mais a mesma. Ao assumir o mandato, gastou cerca de R$ 200 mil na reforma de seu gabinete, que foi decorado com sofás brancos forrados em seda rústica e estampados com o brasão da República de linho bordado em ponto cheio. Um dos quadros retrata o próprio deputado com seus cães. Entre os objetos que decoram o lugar está uma cobra esculpida, que foi batizada por Clodovil com o nome Marta. O deputado afirmava, no entanto, não se tratar de nenhuma referência à ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy.
Na cerimônia de posse, o deputado compareceu com um traje inusitado: terno creme, sapato marrom e branco, chapéu e bengala. Segundo ele, o traje representava uma "saudade" que ele sentia do passado do País.
Apesar de ser assumidamente homossexual, tinha posições consideradas conservadoras pelas entidades de defesa da diversidade sexual. Em 2007, foi vaiado ao discursar no lançamento da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual, no Congresso Nacional. Na ocasião, ele declarou: "Não tenho orgulho nenhum de ser gay." No mesmo discurso, criticou os travestis que se prostituem e se posicionou contra o casamento entre homossexuais.
Em maio de 2007, no embarque em um vôo de Brasília para São Paulo, ao ser acomodado em um assento mais ao fundo do avião, Clodovil gritou com os comissários e disse que não aceitaria ser realocado. Depois de bater boca com os funcionários da empresa porque não conseguiu sentar na primeira fileira de assentos da aeronave, o deputado deixou o vôo debaixo de vaias e sentou no acesso ao terminal 8 de embarque do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, impedindo que outros passageiros entrassem no local. Depois de muita confusão, ele foi detido e interrogado pela Polícia Federal.
Em abril de 2008, o deputado afirmou que as mulheres se tornaram "vulgares e siliconadas", razão pela qual ele não estaria mais costurando para elas. A declaração foi dada momentos antes de ele se encontrar com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que ele entrevistou para seu programa na TV JB, emissora na qual teve uma rápida passagem. Na seqüência, a deputada Cida Diogo (PT-RJ) pediu uma retratação ao parlamentar.
No mês seguinte, Clodovil teve um bate-boca com Cida em plena sessão na Câmara. Segundo testemunhas, ele teria dito que ela era "tão feia que não poderia nem ser prostituta". Ele admitiu ter sido "cruel" durante a discussão, mas disse que não pediria desculpas pelos termos utilizados. No entanto, acabou pedindo desculpas às mulheres.
Saúde
Clodovil já havia apresentado problemas de saúde em setembro do ano passado, quando foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Oswaldo Cruz, na capital paulista, após sofrer uma embolia pulmonar.
Em agosto de 2008, o deputado havia passado por uma cirurgia, no mesmo hospital, para tratar um problema urológico. O O problema surgiu como seqüela da retirada de um câncer de próstata, descoberto por Clodovil em 2005, quando ainda trabalhava como apresentador de TV.
No dia 05 de junho de 2007, o parlamentar sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na Câmara dos Deputados. Ele foi levado ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde permaneceu internado por seis dias.