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Política

Cármen Lúcia suspende ordem que determinou a apreensão de celulares de jornalistas

Ministra intimou para se explicar o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, que figura como vítima em inquérito da Polícia Civil do Estado que comanda; defesa dos repórteres e Sindicato dos Jornalistas apontam perseguição

7 mar 2024 - 19h19
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Uma ordem da Justiça de Mato Grosso que permitiu à Polícia Civil do Estado a apreensão de celulares e computadores de jornalistas foi suspensa pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. A decisão foi assinada nesta quarta-feira, 6, e o governador do Estado Mauro Mendes (União Brasil) foi convocado a se manifestar sobre o caso.

O inquérito no qual foi autorizada a busca e apreensão dos aparelhos de Alexandre Aprá, Enock Cavalcanti e Marco Polo de Freitas Pinheiro tem o governador como vítima e é decorrente da Operacão Fake News 3, deflagrada pela Polícia Civil em 6 de fevereiro.

Os três jornalistas, acusados no procedimento de cometer calúnia, difamação e associação criminosa, são investigados por suposta veiculação de informações falsas em sites e grupos de mensagens, "com o fito de atingir a honra e imagem de autoridades públicas em verdadeira indústria de desinformação". Os profissionais teriam publicado informações sobre um suposto esquema que garantia decisões judiciais favoráveis ao garimpo em Mato Grosso.

Ordem suspensa pela ministra do STF Cármen Lúcia havia permitido a apreensão de aparelhos eletrônicos de três jornalistas.
Ordem suspensa pela ministra do STF Cármen Lúcia havia permitido a apreensão de aparelhos eletrônicos de três jornalistas.
Foto: Andre Dusek/Estadão / Estadão

O Supremo foi acionado pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Instituto Vladmir Herzog. Tais grupos se juntaram a dois dos investigados alegando que o caso se trata de uma perseguição judicial. Argumentam, ainda, que a decisão que permitiu a apreensão, tomada pelo juiz Bosco Soares, do Núcleo de Inquérito Policiais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, viola o sigilo das fontes dos profissionais, previsto na Constituição, e uma decisão do STF que legitima o direito à informação.

Para o advogado dos jornalistas, André Mateus, a decisão de Cármen Lúcia "é o primeiro passo". "Demonstraremos que há uma série de inquéritos e processos abertos de forma sistemática contra jornalistas para atender pedidos do governador". Além de Mauro Mendes, o magistrado que proferiu a decisão também deve explicar a situação em até 48 horas, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá apresentar parecer urgente sobre o caso.

Estadão
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