Candidatos do PSB no DF abandonam Cappelli e passam a apoiar nome do PT ao governo local
Ricardo Cappelli fala em traição e pedirá a expulsão dos correligionários
Candidatos do PSB ao Legislativo do Distrito Federal abandonaram a campanha de Ricardo Cappelli (PSB) ao governo local para apoiar Leandro Grass (PT), defendendo o voto útil após pesquisas mostrarem o petista como o único nome competitivo contra a líder Celina Leão (PP). Com o partido rachado, Cappelli chamou os dissidentes de traidores oportunistas e exigiu suas expulsões da legenda. Os apoiadores de Grass alegam a necessidade de união do campo progressista contra o atual governo.
BRASÍLIA - Uma ala de candidatos do PSB parou de pedir votos ao candidato do partido ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, e passou a endossar a candidatura do petista Leandro Grass. Nas redes sociais, os postulantes à Câmara Legislativa do Distrito Federal, Bernardo Moreira e Raphael Sebba, pediram voto útil em Grass, mesmo sem uma liberação do partido. A legenda está rachada e Cappelli exige a expulsão dos dois para permanecer.
O movimento dos candidatos do PSB se dá após pesquisas apontarem que Grass é o nome competitivo para enfrentar Celina em um eventual segundo turno. Cappelli, por sua vez, não conseguiu decolar nas intenções de voto.
Procurado, o presidente do PSB do Distrito Federal, Rodrigo Dias, não se manifestou. Cappelli disse que irá pedir abertura de processo de expulsão contra Sebba e Moreira e chamou os dois de "traidores". O candidato do PSB declarou ainda: "Os dois serão expulsos. Saem eles ou saio eu depois das eleições".
"O partido segue me apoiando. Abrirei processo de expulsão contra os dois traidores na próxima segunda", disse Cappelli ao Estadão/Broadcast.
Cappelli também acusou os dois candidatos de serem "oportunistas" e declarou que o movimento se dá após recursos de campanha destinados a eles serem negados.
"São dois oportunistas. Vieram me pedir dinheiro. Como não dei, porque não tenho, fizeram isso. Dois fariseus", disse o candidato do PSB ao GDF.
Pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta terça-feira, 30, mostrou que a atual governadora Celina Leão (PP) possui 39% das intenções de voto. Grass possui 23%. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) conta com 9% e Cappelli, 3%. Ele está empatado na margem de erro com o empresário Kiko Caputo (Novo), que possui 2% e com os candidatos Samara Mineiro (UP) e Professor Robson (PSTU), que possuem 1%, cada.
A Quaest entrevistou 1.104 eleitores do Distrito Federal entre os dias 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiabilidade é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-02515/2026.
Candidatos do PSB pedem voto a Grass
Nesta quarta-feira, 30, Raphael Sebba declarou que Grass é o candidato do campo progressista que possui capacidade de bater a atual governadora. Sebba também elogiou Cappelli pela atuação quando foi interventor na Segurança Pública do DF em 2023: "Minha decisão não diminui em nada seu valor".
"A cinco dias da eleição, não há dúvidas: Leandro Grass é quem reúne as melhores condições de vencer esta eleição e oferecer ao DF um novo caminho. Ele construiu a maior aliança do nosso campo, é o candidato progressista mais bem colocado nas pesquisas, conta com o apoio do presidente Lula e é o nome capaz de unir as forças democráticas até a vitória", declarou Sebba.
Já Bernardo Moreira publicou um vídeo ao lado de Grass nesta terça-feira, 29, em frente à sede do PT de Brasília. "Chegou na semana final da eleição e a gente precisa se mobilizar muito para limpar o grupinho Master que governa o DF. É por isso que o meu candidato a governo é o meu ex-professor Leandro Grass."
Em outro vídeo, Bernardo aparece ao lado do candidato a deputado federal do PSB Professor Israel, que também pede votos a Grass. Israel declarou ao Broadcast Político que o partido ficou dividido sobre a candidatura de Cappelli ao GDF desde o desenrolar das pesquisas de intenção de voto.
"Havia um acordo de que o candidato do campo progressista que tivesse mais chance teria o apoio do outro e, ao final, isso não aconteceu. Nós entendemos que o campo progressista não pode ficar rachado, fracionado neste momento. O campo progressista precisa de unidade no Distrito Federal porque o desafio é muito grande", disse Israel.
Em nota, Bernardo declarou que Cappelli descumpriu o acordo de que o candidato pior colocado nas pesquisas apoiaria o melhor do campo progressista. "Não tenho tempo para briguinha de ego enquanto o DF vive um caos total e está dominado por bandidos. Sou oposição a esse governo e quero derrotá-lo", disse.
"Outros também deixaram de apoiar Cappelli; eu apenas fui o primeiro a assumir publicamente. Além disso, ele perdeu meu apoio por declarações e posturas machistas e misóginas", disse Bernardo. Sobre esta declaração, Cappelli disse ao Broadcast Político: "Esse rapaz é um oportunista. Queria dinheiro. Eu não dei".
O candidato também rebateu a acusação de que a mudança de rumo teria sido feita por questões financeiras. "Dizer que fiz isso por dinheiro é absurdo. Nunca recebi um real de Cappelli. Pelo contrário: sempre o ajudei, sem pedir nada em troca, nas redes sociais, onde tenho mais seguidores e engajamento que ele. Minha dobrada para federal recebeu quatro vezes mais recursos que a campanha dele que é a majoritária", disse.
Sobre a expulsão, o candidato declarou: "Se quiser tentar me expulsar por ter posição própria, é uma decisão dele. Eu não vou esconder o que penso e nem dividir o campo progressista".
Já Raphael Sebba disse que recebe a ameaça de expulsão vinda de Cappelli com "preocupação" e disse ter "muito respeito à trajetória política de Cappelli".
"Nestas eleições, que exigem de nós coragem e responsabilidade histórica, o candidato assumiu uma linha política incoerente com o que nosso partido representa. Ao tratar Leandro Grass e Celina Leão como se fossem equivalentes, ele normaliza a extrema direita e coloca o PSB em um meio-termo que desrespeita seu papel em defesa da unidade do campo democrático", disse Sebba.
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