Neuromodulação não invasiva: entenda tratamento médico solicitado por defesa de Bolsonaro
Wanderley Cerqueira de Lima, neurocirurgião do Hospital Albert Einstein, explicou ao Terra o uso do método
Jair Bolsonaro (PL) ainda aguarda a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para iniciar o tratamento de “neuromodulação não invasiva por Estímulo Elétrico Craniano”, nas dependências da Papudinha, em Brasília. A defesa do ex-presidente protocolou a solicitação na última quinta-feira, 19, com a alegação de que o método foi utilizado anteriormente e apresentou melhoras perceptíveis nos parâmetros gerais de saúde e no quadro de soluços.
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Ao Terra, o doutor Wanderley Cerqueira de Lima, neurocirurgião do Hospital Albert Einstein, explica que o tratamento é dividido em dois tipos: por estímulo elétrico - o pedido pela defesa de Bolsonaro - ou magnético.
“Tanto um quanto o outro não têm nenhuma agressão para o paciente. Tudo é feito através de estímulos, através da pele ou do couro cabeludo. Ou vai ser um estímulo elétrico ou vai ser um estímulo magnético”, detalha o profissional.
O pedido da defesa de Bolsonaro é para a realização do tratamento feito por meio de clipes auriculares bilaterais, com sessões de 50 minutos a uma hora, com o paciente em repouso consciente.
Segundo os advogados, o ex-presidente teve melhoras de sono, ansiedade, depressão e no quadro de soluços na primeira vez que fez o tratamento. Cerqueira de Lima afirma que o método funciona por estímulos que regulam a atividade dos neurônios.
“Ele é utilizado para doenças neurológicas, doenças psiquiátricas ou distúrbios psicológicos dos pacientes. Ele vai dar um estímulo que vai modular, vai transformar a vida do paciente que está sofrendo com condições neurológicas ou condições psiquiátricas. Vai maximizar ou vai melhorar essas estruturas cerebrais ou essas conexões dos neurônios. As estruturas mais superficiais ou mais profundas no cérebro”, continua.
O neurocirurgião também destaca que o tratamento precisa de estímulos repetitivos por meio de várias sessões para surtir efeito. Ele pode ser feito com a supervisão de fisiatra, neurologista, psiquiatra e neurocirurgião. O último para casos de técnica invasiva.
Assim como protocolado pela defesa de Bolsonaro na petição enviada ao STF, Cerqueira de Lima reforça que o tratamento não exclui o uso de medicamentos, mas é usado de maneira complementar.