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Bolsonaristas reagem à prisão de Jefferson e atacam ministro

Repercussão no meio político e mídias sociais foi imediata; parlamentares de oposição comemoram e tema aparece entre os assuntos mais comentados no Twitter

13 ago 2021 11h49
| atualizado às 11h54
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A prisão preventiva do presidente do PTB, Roberto Jefferson, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, provocou reação imediata no meio político e nas redes sociais. Pela manhã, as hashtags #RobertoJefferson, #AlexandredeMoraes e #PolíciaFederal estiveram entre os assuntos mais comentados no Twitter.

Ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes
04/04/2018
REUTERS/Adriano Machado
Ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes 04/04/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

A Polícia Federal cumpriu a ordem e ainda realizou buscas na casa do presidente do PTB para apreender armas, munições e aparelhos eletrônicos do político, que costumeiramente posa armado para fotos. A decisão de Moraes foi tomada no âmbito do chamado inquérito das milícias digitais, aberto em julho. O ex-deputado, pivô do escândalo do mensalão no governo do PT, em 2005, é investigado por suposta participação em organização criminosa "de forte atuação digital, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito".

Aliados do presidente do PTB e bolsonaristas foram os primeiros a se manifestar, classificando e decisão como "arbitrária" e ecoando uma publicação do próprio Jefferson, que revelou a tentativa de agentes da PF o localizarem na casa de sua ex-mulher.

"A Polícia Federal foi à casa de minha ex-mulher, mãe de meus filhos, com ordem de prisão contra mim e busca e apreensão. Vamos ver de onde parte essa canalhice", escreveu o ex-deputado, que mais tarde teve a conta retirada do ar, também por ordem de Moraes.

Antes disso, porém, ele ainda chamou o ministro do Supremo de "cachorro do STF" e relacionou as ações da Corte às da Venezuela. "Xandão, maridão de dOna Vivi, Cachorro do STF, decretou minha prisão por crime de milícia digital. Ele está repetindo os mesmos atos do Supremo da Venezuela, prendendo os Conservadores para entronizar os comunistas. Deus. Pátria. Família. Vida. Liberdade", escreveu.

Após a prisão de Roberto Jefferson, a conta de Twitter do presidnete do PTB foi tirada do ar.
Após a prisão de Roberto Jefferson, a conta de Twitter do presidnete do PTB foi tirada do ar.
Foto: Reprodução/Twitter / Estadão

A ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Jefferson, usou rede social para cobrar uma reação do presidente Jair Bolsonaro em defesa do pai. "Cadê o "ACABOU PORRA"? Estão prendendo os conservadores e o bonito não faz nada??? O próximo será ele! E se não for preso, não vai poder sair nas ruas já já! ACOOOOOORDA!!!", escreveu. O comentário de Cristiane faz referência a uma declaração inflamada do chefe do Executivo, em maio, após a PF realizar 29 buscas no inquérito das fake news contra seus aliados — entre eles, Roberto Jefferson.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi o primeiro integrante do clã a se manifestar sobre a prisão, vista por ele como um ataque ao pai. "Como se não bastassem terem apagado as provas do crime do hacker que invadiu o sistema do TSE (LOG), agora Alexandre de Moraes não pára de abrir inquéritos contra o presidente @jairbolsonaro, num claro ato ditatorial, isto após prender jornalistas, militantes e deputado federal", escreveu.

Já o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, investigado pelo inquérito das fake news, pediu proteção divina ao ex-deputado. "O sistema quer explodir quem se levanta conta ele. Deus proteja o Roberto. Deus proteja minha família. Socorro Brasil!", escreveu.

O aliado do presidente Bolsonaro na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Douglas Garcia (PTB-SP) prestou solidariedade ao presidente do PTB e chamou a prisão de "arbitrária".

"Minha solidariedade a Roberto Jefferson. Mais uma prisão arbitrária no Brasil! Enquanto isto, o Senado, a única Casa que tem poder para barrar estes abusos está de joelhos ao sistema. O jurídico do PTB está tomando todas as medidas cabíveis nacionais e internacionais", escreveu.

"Aviso"

Parlamentares de oposição ao governo Bolsonaro elogiaram a decisão de Moraes e destacaram a proximidade do ex-deputado com o presidente da República, como fez o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ).

"URGENTE! Ministro Alexandre de Moraes mandou prender Roberto Jefferson por ataques contra as instituições democráticas. Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jefferson é um dos principais aliados de Bolsonaro. Desgoverno de bandidos", escreveu.

A ex-candidata à vice-Presidência Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), que já foi alvo de ataques de Jefferson nas redes sociais, disse que o político tem "ameaçado sistematicamente as instituições e a democracia" e "tem incentivado permanentemente o uso de armas contra os que pensam diferente".

Para o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), a prisão deve servir de "aviso" a aliados do presidente Bolsonaro. "Quando opiniões incitam ações que ameaçam nossa democracia, devemos, a todo custo, protegê-la. Que sirva de aviso para o golpismo bolsonarista", comentou.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) lembrou que Jefferson já foi preso por corrupção e disse que agora irá "por delinquir contra as instituições".

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) disse que Jefferson representa o "elo" entre o Centrão e o fascismo. "CAI Roberto Jefferson, um dos principais bandidos de estimação do bolsonarismo, elo corrupto entre Centrão e fascismo. No mesmo inquérito são investigados Dudu e Flavio Bolsonaro pelos ataques à democracia usando milícias digitais. O GABINETE DO ÓDIO VAI CAIR!", comentou

Ex-apoiador do presidente Bolsonaro, o deputado estadual Arthur do Val (Patriotas-SP), mais conhecido como "Mamãefalei", disse que "Jefferson voltou para onde não deveria ter saído!", em referência ao período em que o ex-deputado ficou preso, condenado no julgamento do mensalão do PT.

PTB

Em nota, o PTB-SP alegou que seus dirigentes "sempre respeitaram e continuam a respeitar o Estado Democrático de Direito e a Constituição Federal, em todos os seus

ditames." Desde o mês passado, o partido é presidido em São Paulo pelo empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, alvo de dois inquéritos no STF, sob suspeita de financiar a propagação de fake news e a organização de atos antidemocráticos.

O texto diz ainda que o partido não teve acesso à decisão que determinou a prisão de seu presidente nacional. "Vale lembrar que o acesso à resolução e à integra dos autos é direito constitucional", diz trecho do texto, "motivo pelo qual espera-se em breve ter acesso ao conteúdo do decidido", completa.

Veja a nota na íntegra:

"Nota do PTB-SP sobre a prisão de seu presidente nacional, Roberto Jefferson

O Partido Trabalhista Brasileiro, por seu Diretório de São Paulo, soube pela imprensa da ordem de prisão lavrada contra o presidente do partido, Roberto Jefferson, não tendo tido acesso até agora ao conteúdo da decisão.

Vale lembrar que o acesso à resolução e à integra dos autos é direito constitucional (nos termos da súmula vinculante nº 14, do Supremo Tribunal Federal), motivo pelo qual espera se em breve ter acesso ao conteúdo do decidido.

Cumpre notar que o PTB e seus dirigentes sempre respeitaram e continuam a respeitar o Estado Democrático de Direito e a Constituição Federal, em todos os seus

ditames.

Após acesso à decisão e à íntegra dos autos, o PTB-SP apresentará nova nota pública."

Estadão
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