Bastidores: debate Band/Estadão tem bate-boca entre aliados, provocações e pedidos de expulsão
Primeiro confronto presidencial das eleições de 2026 teve discussões na plateia, reclamações de Sidônio Palmeira à organização e troca de provocações entre apoiadores dos dois candidatos
O primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado por Band e Estadão, foi marcado por forte tensão nos bastidores. A polarização do palco se estendeu à plateia e às equipes, gerando trocas de provocações entre aliados e intervenções da organização. Houve pedidos mútuos de expulsão envolvendo a primeira-dama Janja e assessores, além de queixas sobre a invasão de espaço no estúdio. Fora das câmeras, ambos os lados atuaram intensamente na mobilização digital e na orientação dos candidatos.
O primeiro debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo, 18, pela Band/Estadão, teve provocações, bate-bocas e pedidos de expulsão nos bastidores. A tensão entre os candidatos se estendeu à plateia, onde aliados dos dois lados trocaram acusações, comemoraram respostas e tentaram orientar os presidenciáveis durante o confronto. Em diferentes momentos, integrantes da organização precisaram intervir para conter os desentendimentos.
Antes mesmo do início do debate, o clima já era de expectativa entre as duas equipes. Flávio fez uma oração no estúdio, enquanto Lula demonstrava tranquilidade à espera do confronto.
Assim que o debate começou, a tensão se estendeu à plateia. Enquanto Lula e Flávio se provocavam diante das câmeras, o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e o influenciador Pablo Marçal também provocavam os aliados petistas, pedindo silêncio de forma irônica. Pavanato chegou a sacar o celular para filmar integrantes da campanha de Lula, além de fazer gestos de provocação. As manifestações foram rebatidas por Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha petista em São Paulo, e pelo ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
A primeira-dama Janja também entrou no clima de confronto. Enquanto Flávio discursava, reagiu às declarações do senador e o acusou de mentir. A manifestação levou aliados do candidato do PL a pedir sua retirada do estúdio. Integrantes da organização intervieram para solicitar que ela não se manifestasse durante as falas dos presidenciáveis.
Os atritos chegaram também às equipes de assessores. Desde o primeiro bloco, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, reclamava que Flávio ultrapassava o espaço reservado a Lula no estúdio, o que aliados do petista interpretaram como uma tentativa de intimidação.
No intervalo do terceiro bloco, Sidônio discutiu de maneira dura com integrantes da equipe da Band para cobrar providências. Funcionários da emissora precisaram intervir, enquanto aliados de Flávio pediam a expulsão do responsável pela comunicação do presidente.
Inquieto, Sidônio se levantou da cadeira em diferentes momentos para acompanhar a movimentação de Flávio e orientar Lula. Nos intervalos, aproximou-se do presidente para indicar a posição em que deveria ficar diante das câmeras e para onde deveria direcionar o olhar durante as respostas.
As orientações também partiam da plateia. Aliados de Lula pediam que o presidente abordasse o tema das mulheres durante o debate. O deputado André Janones (Rede-MG), um dos responsáveis pela mobilização digital petista no segundo turno, utilizou o celular praticamente durante todo o confronto para enviar áudios e instruções ao chamado Exército do Lula, grupo de mobilização criado por ele no WhatsApp para divulgar conteúdos favoráveis à campanha.
Do lado de Flávio, a equipe de assessores formada por Daniella Marques, pelo marqueteiro Duda Lima e por Fábio Portela também acompanhava atentamente as respostas dos candidatos. Durante os intervalos, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Pablo Marçal e o governador eleitor pelo Paraná Sergio Moro (União-PR) levavam suas impressões sobre o debate a Daniella, responsável pela área econômica da campanha, que repassava as orientações ao presidenciável.
As trocas de provocações continuaram até o encerramento do confronto. Na plateia, aliados dos dois candidatos se alternavam entre gritos de "Lula" e "mito", em referência a Flávio, reproduzindo fora das câmeras a polarização da disputa presidencial.
Após o debate, quando as câmeras já estavam desligadas, Flávio se aproximou do senador Sergio Moro e perguntou, em referência a Lula: "Matou a saudade dele?". O ex-juiz, que ganhou projeção nacional à frente da Operação Lava Jato e foi responsável pela condenação do petista posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu, aos risos: "Olha, senti não".
Realizado a uma semana do segundo turno, o debate foi tratado pelas duas campanhas como uma oportunidade de conquistar eleitores ainda indecisos e mobilizar apoiadores. A disputa também se estendeu às redes sociais, com equipes mobilizadas para transformar as declarações dos candidatos em vídeos e conteúdos que continuem circulando nos últimos dias antes da votação.
Mudanças na campanha de Lula aparecem no estúdio
A composição das equipes de assessores também refletiu as estratégias adotadas pelas campanhas para a reta final da eleição. Do lado de Lula, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o senador eleito pelo Ceará, Camilo Santana (PT), ocuparam as cadeiras destinadas aos auxiliares do presidente durante o debate.
Integrantes da campanha ouvidos pelo Estadão antes do confronto atribuem à dupla papel importante na guinada da estratégia eleitoral do petista no segundo turno, marcada por mudanças na articulação política e na comunicação. Ambos passaram a integrar o núcleo de coordenação após o primeiro turno, em meio às críticas internas sobre o desempenho da campanha.
A reformulação também abriu espaço para Janones, que ganhou protagonismo na mobilização digital. A campanha passou a apostar em uma postura mais incisiva de Lula para explorar contradições nas propostas de Flávio, especialmente na área econômica, e associar o programa do adversário ao risco de cortes em benefícios sociais e direitos trabalhistas.
Do lado de Flávio, a preparação foi conduzida pela equipe liderada pelo coordenador político Rogério Marinho, por Duda Lima e por Daniella Marques.
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