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Política

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Em debate tenso, Flávio e Lula trocam acusações de corrupção e disputam economia e segurança

Senador insistiu que mudança é necessária para melhorar a vida dos brasileiros, enquanto presidente defende continuidade do governo

18 out 2026 - 22h46
(atualizado às 23h10)
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Resumo
Em debate tenso e com pesquisas em empate técnico para a eleição de 2026, Lula e Flávio Bolsonaro trocaram duras acusações de corrupção. Flávio focou em desgastar a gestão petista criticando a segurança pública, o custo de vida e o endividamento das famílias, além de fazer um mea-culpa sobre a pandemia. Lula defendeu seus resultados econômicos, cobrou explicações sobre a ligação do rival com um banqueiro e acusou o senador de querer privatizar o SUS e se subordinar a interesses dos Estados Unidos.

O primeiro debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 2026, realizado pela Band em parceria com o Estadão, foi marcado por um clima tenso e trocas de acusações de corrupção. O senador insistiu que a mudança no governo federal é necessária para melhorar a vida dos brasileiros, principalmente na economia e na segurança pública, enquanto o atual presidente alternou a defesa da própria gestão com tentativas de desgastar Flávio.

A uma semana do pleito, as pesquisas indicam empate técnico, com o filho de Jair Bolsonaro (PL) numericamente à frente do atual presidente. Precisando de uma virada, Lula trouxe ao debate o histórico de votações de Flávio quando era deputado estadual, a defesa de policiais envolvidos em crimes no Rio de Janeiro e a ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O resultado foi misto. Flávio conseguiu desviar das principais cascas de banana, irritando o presidente que o acusou de não responder às perguntas. O senador, contudo, fez um mea culpa sobre a gestão de Bolsonaro na pandemia.

Flávio investiu nas críticas ao governo, abordando o aumento do custo de vida, o endividamento das famílias e a insegurança pública. A postura colocou Lula na defensiva em alguns momentos e obrigou o presidente a defender medidas adotadas em seu governo, que as pesquisas apontam que é impopular.

O candidato do PL prometeu manter os programas sociais, congelar as dívidas dos brasileiros e ser duro contra os criminosos, defendendo a redução da maioridade penal e castração química de estupradores. O bolsonarista buscou se mostrar como alguém capaz de mudar de opinião após ouvir os eleitores, o que segundo ele motivou seu voto favorável ao fim da escala 6x1.

As equipes e aliados de cada candidato puderam acompanhar o debate do estúdio. Em diversos momentos, Lula e Flávio foram interrompidos por manifestações da plateia. O senador adotou a estratégia de se posicionar atrás ou próximo de Lula e balançar a cabeça negativamente enquanto o presidente falava, o que gerou confusão em alguns momentos.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O primeiro bloco começou com propostas sobre a segurança pública. Flávio prometeu declarar guerra às facções criminosas, classificá-las como narcoterroristas e ir "para dentro dos marginais" com leis mais duras. Lula afirmou que a segurança pública é responsabilidade dos Estados, mas que os entes fracassaram no combate ao crime, e que pretende criar o Ministério da Segurança Pública para "intervir" nos governos estaduais.

Quando o tema passou a ser livre, o debate descambou para uma série de acusações de corrupção de lado a lado. O senador explorou a entrevista da lobista Roberta Luchsinger, que disse no sábado que o presidente é mentiroso e que Fábio Luís da Silva, o Lulinha, se reuniu várias vezes com ministros do governo. O candidato escreveu "corrupto" na mão, destacando as letras "P" e "T" da palavra e insinuou que Lula poderia roubar sua carteira.

"Por que a Polícia Federal vai na casa dela e na do Lulinha não? Por que ele está fugido na Espanha?", disse Flávio, que cumprimentou Sergio Moro e Deltan Dallagnol, recém-eleitos governador e senador pelo Paraná. Os dois estavam na plateia e foram, respectivamente, o juiz e o procurador da Operação Lava Jato, que prendeu Lula.

O petista, por sua vez, disse que a lobista é uma "questão da Polícia Federal" e que não protege o filho. "O que você fez com os R$ 134 milhões? Foi para ajudar seu irmãozinho a ficar traindo o Brasil? [...] Vocês fizeram dele um banqueiro e eu fiz dele um prisioneiro", rebateu o presidente, se referindo a Vorcaro.

Em determinado momento, Flávio chegou a tentar mudar de assunto e falar sobre o Bolsa Família, mas Lula disse que não responderia até que o senador explicasse o dinheiro que Vorcaro enviou para o filme Dark Horse. O candidato do PL, então, fez menção a um áudio em que o banqueiro diz que o repasse para o filme de Bolsonaro ocorreu dentro da lei, ao contrário do dinheiro que teria sido enviado a um documentário sobre Lula.

Depois de Flávio acusá-lo de ser o candidato preferido dos presidiários, Lula disse que quer o voto de "100% dos presos", incluindo de Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado. De acordo com o presidente, o ex-presidente será solto caso o filho seja eleito.

Em meio à discussão, Lula chamou Flávio de "malandro carioca". Logo em seguida, o senador ganhou o único direito de resposta concedido durante o debate. Ele utilizou o tempo para falar de propostas na segurança pública. Porém, na volta do intervalo, se solidarizou com os eleitores do Rio de Janeiro pelo que chamou de "ataque" do petista.

Em seguida, o tema passou a ser a economia. Lula pediu a Flávio que explicasse o ajuste fiscal que fará se eleito, buscando traçar um paralelo entre um eventual governo do adversário e o governo de Javier Milei na Argentina.

"Queria saber se você vai seguir o modelo do Milei. Você vai pedir a motosserra emprestada para ele?", ironizou. "O que eu vou fazer é o tesouraço na corrupção do seu governo", respondeu Flávio, sem detalhar onde irá realizar cortes. "Eu vou tirar dele e da Janja e dar pra você", acrescentou, se referindo aos eleitores.

O candidato do PL disse que não mudará a proposta que concedeu duas folgas semanais aos trabalhadores e que alterou sua posição sobre o tema porque ouviu os eleitores que eram favoráveis. Ele afirmou que manterá o reajuste do Bolsa Família, criará o Ministério da Prosperidade e que fará um programa de renegociação de dívidas que realmente funcione.

Segundo ele, a gastança do governo Lula tem levado ao endividamento do País e das famílias e elevado o preço dos alimentos. "Comigo presidente, a taxa de juros vai despencar de uma forma muito rápida e sua dívida vai despencar junto", disse Flávio

Lula rebateu, dizendo que o custo de vida está alto em razão da guerra promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem se referiu como "amigo" de Flávio. O presidente afirmou que manterá o modelo econômico de seu terceiro mandato, que segundo ele busca aliar crescimento com inclusão social. "Depois de muitos anos, a economia brasileira voltou a crescer 3,4% no PIB industrial", disse ele, citando investimentos públicos no setor.

Quando a discussão migrou para a saúde, Lula afirmou que 700 mil pessoas morreram na pandemia da Covid-19 por "irresponsabilidade" do governo Bolsonaro. Também houve confusão após Flávio dizer que, se eleito, vai levar o padrão do hospital Albert Einstein para o Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente disse que o adversário pretende privatizar o SUS. Flávio tentou falar por cima e foi repreendido pela moderação do debate.

"De fato a saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado no governo Bolsonaro. Eu faço esse mea culpa", disse Flávio.

Na reta final, Lula acusou a família Bolsonaro de ser "subordinada" aos interesses americanos e disse que Flávio pretende entregar as terras raras aos Estados Unidos.

Flávio chamou a declaração de "fake news" e acusou o presidente de se reunir com Trump para pedir que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) não fossem classificados como organizações terroristas.

Lula também desafiou o adversário a abrir as contas bancárias e entregar sigilo telefônico ao Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio respondeu que "não tem nada a esconder" e voltou a mencionar o áudio em que Vorcaro fala de um suposto repasse ao documentário de Lula.

Houve nova confusão nas considerações finais, após Flávio se posicionar atrás de Lula enquanto o presidente falava. Depois, quando tomou a palavra, Flávio também foi atrapalhado por manifestações da plateia.

Por último, Lula disse pegou o País "quebrado" e fez a economia voltar a crescer. "Eu sei como fazer", prometeu. Já Flávio agradeceu aos eleitores, chamou o adversário de mentiroso e disse que jamais prometerá o que não pode cumprir.

Estadão
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