Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

Após 41 anos, vereador mais antigo de Porto Alegre sai da política

8 jun 2012 - 08h23
(atualizado às 08h26)
Compartilhar
Mauricio Tonetto
Direto de Porto Alegre

Quando limpar as gavetas de seu gabinete e entregar as chaves para um novo parlamentar, a partir de janeiro de 2013, o vereador João Antônio Dib (PP), 82 anos, dará adeus a uma rotina de 41 anos e terá de aprender a conviver com o anonimato depois de 10 mandatos consecutivos. Recordista na história da Câmara de Porto Alegre (RS), ele passou por todas as transformações de seu partido. Arena, PDS, PPR, PPB até chegar ao atual PP. Apoiador do regime militar, Dib não vai mais concorrer e diz que se aposentará da política cansado.

O vereador João Antônio Dib (PP), 82 anos, se aposentará após 10 mandatos consecutivos na Câmara de Porto Alegre (RS)
O vereador João Antônio Dib (PP), 82 anos, se aposentará após 10 mandatos consecutivos na Câmara de Porto Alegre (RS)
Foto: Fernanda Westerhofer / Divulgação

"Os políticos devem ter mais responsabilidade. Eles não podem pensar na próxima eleição, e sim nos problemas de sua cidade, Estado e do próprio País. O que vemos hoje são coisas no mínimo extravagantes. Espero mais seriedade, responsabilidade e, sobretudo, simplicidade", disse ele. Dib assumiu uma cadeira na Câmara pela primeira vez em 1971. Em 1983, chegou a ser nomeado prefeito da capital gaúcha e administrou a cidade até 1985, já no final da ditadura militar.

"Acho que fiz a minha parte e espero que outros façam melhor do que eu. Saio com a convicção de que dei o melhor de mim e procurei servir. Político é um servidor público. Aonde eu passei, deixei a minha marca e nunca tive nada para esconder de ninguém. Meu número sempre esteve na lista telefônica e a porta do meu gabinete ficava aberta", disse o vereador.

Ditadura e progresso

Para João Dib, o regime militar gerou progresso e respeito em Porto Alegre e no Brasil. Ele é avesso ao termo ditadura e entende que foi um momento necessário, já que "esqueceram as hierarquias e responsabilidades".

"Eu não acho que houve ditadura, mas um momento onde esqueceram a hierarquia e as responsabilidades. Era um período difícil do País, em que ele progrediu muito. Hoje é uma tristeza. São 30 partidos quase, onde está a ideologia? Onde estão os programas? Eu não sei se existe partido no Brasil. Parece que o problema é conquistar cargos", salientou.

Engenheiro civil de formação, o vereador ingressou no serviço público através de concurso em 1952, aos 23 anos, como topógrafo do Serviço de Habitação de Porto Alegre. Depois, ocupou cargos na prefeitura durante o mandato de José Loureiro da Silva e, na ditadura, nos governos de Célio Marques Fernandes, Telmo Thompson Flores e Guilherme Socias Villela. Foi secretário Municipal de Obras e Viação, de Transportes e diretor do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Coerência

Mesmo tendo opiniões políticas voltadas à direita, Dib garante que é respeitado pela esquerda e os demais adversários porque mantém a coerência: "Sempre fiquei no mesmo partido e linha de conduta, coerente o tempo todo. Eu não tive problema nenhum com ninguém, porque acho que quem procede corretamente nunca tem problema. Sempre trabalhei com a porta aberta, não precisei de subterfúgios. Não fiz nada pressionado por ninguém."

Com limitações físicas causadas pelas sequelas de um tiro que recebeu, que o obrigam a movimentar-se de muletas ou usando um carro elétrico, Dib pretende dedicar os seus próximos anos para os netos, a fisioterapia e alguma coisa que ele não sabe ainda o que, mas que irá encontrar, segundo suas palavras. "Vou cuidar de mim mesmo, estou cansado da política. Alguma coisa vou achar para fazer", concluiu o decano.

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra