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Ao citar AI-5, Guedes é criticado no Congresso e no STF

Presidente do Supremo, Toffoli diz que afirmação é 'incompatível com democracia'; Maia cita 'insegurança'

26 nov 2019
22h05
atualizado em 27/11/2019 às 08h18
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi alvo de críticas após dizer que as pessoas não deveriam se assustar se alguém defendesse o AI-5 no caso de radicalização de manifestações de rua. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), líderes partidários e a oposição criticaram a citação ao mais duro dos cinco atos institucionais da ditadura militar (1964-1985) e apontaram para possíveis riscos para a imagem do País frente a investidores. Horas depois, Guedes baixou o tom e defendeu que se pratique uma "democracia responsável" no País.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, no Peterson Institute for International Economics, em Washington
O ministro da Economia, Paulo Guedes, no Peterson Institute for International Economics, em Washington
Foto: PIIE/Divulgação / Estadão Conteúdo

"O AI-5 é incompatível com a democracia. Não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado", afirmou Toffoli. O presidente do Supremo havia sido criticado por ter demorado a se posicionar, no fim de outubro, quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu "um novo AI-5" para conter eventuais manifestações de rua, caso "a esquerda radicalizasse".

A declaração de Guedes foi dada no fim da noite dessa segunda-feira (25), em Washington. O ministro comentava os discursos feitos recentemente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que incitou a militância a "seguir o exemplo do povo do Chile", onde protestos de rua contra o governo causaram mortes e deixaram centenas de feridos, e declarou que "um pouco de radicalismo faz bem à alma". Guedes e a política econômica do governo de Jair Bolsonaro têm sido os principais alvos de Lula, que já chamou o ministro de "destruidor de sonhos".

"Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5", afirmou o ministro da Economia. "Chamar o povo para a rua pra dizer que tem o poder, para tomar... Aí o filho do presidente fala em AI-5, aí todo mundo assusta. Acho uma insanidade chamar o povo pra rua pra fazer bagunça", concluiu.

Apoiador da pauta econômica de Guedes, Maia também criticou o ministro. "Ele gera uma insegurança na sociedade e, principalmente, nos investidores. Usar dessa forma, mesmo que sendo para explicar o radicalismo do outro lado, não faz sentido. Por que alguém vai propor o AI-5 se o ex-presidente Lula, que acho que está errado também porque está muito radical estimula manifestação de rua?"

Líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM) disse que a declaração de Guedes foi "absolutamente inadequada". Líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) afirmou que é "inadmissível que novamente se considere um novo AI-5 como caminho viável". "(Guedes) precisa ter cautela. Tudo que ele fala tem consequências na questão econômica", afirmou.

A oposição ao governo Bolsonaro pretende usar a declaração de Guedes para atacar o discurso de que a agenda econômica estaria blindada das declarações polêmicas de outros setores do governo. "Não tem essa. O governo é um só. Essa divisão que se faz de que o Bolsonaro é um louco e o Paulo Guedes toca uma agenda racional não existe", disse o deputado Rui Falcão (PT-SP), ex-presidente do PT.

Bolsonaro não comentou as declarações de seu ministro ontem. "Eu falo de AI-38", disse, em referência ao número que escolheu para seu novo partido. / BEATRIZ BULLA, PEDRO VENCESLAU, RENATO ONOFRE, RICARDO GALHARDO e RICARDO LEOPOLDO

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Estadão
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