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Foro de São Paulo não terá lideranças da esquerda brasileira

PT pretende levar bandeira 'Lula Livre' ao encontro, que este ano será em Caracas a partir do dia 25

23 jul 2019
10h12
atualizado às 12h23
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Alvo recorrente de críticas e ataques de bolsonaristas, o 25º Encontro Anual do Foro de São Paulo, que começa dia 25 em Caracas, não terá a presença de lideranças expressivas de partidos da esquerda brasileira. Presente na posse de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro desse ano e na última edição do evento em Havana 2018, a deputada Gleisi Hofmann (PR), presidente do PT, optou em não participar dessa vez.

Presidente venezuelano Nicolás Maduro
28/05/2019
Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS
Presidente venezuelano Nicolás Maduro 28/05/2019 Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

O PT comparecerá com dois representantes: a secretaria de relações internacionais, Mônica Valente, e a de Mulheres, Anne Caroline. O PCdoB, por sua vez, também não enviará a presidente da legenda, Luciana Santos, e sim dois outros membros de seu Comitê Central: Walter Sorrentino e Ana Prestes. Já o PSOL, segundo seu presidente, Juliano Medeiros , sequer foi convidado.

A delegação brasileira, que deve ter 35 pessoas, vai apresentar o movimento "Lula Livre" como uma de suas principais bandeiras. Os outros eixos gerais da 25º edição do encontro, que adotou o lema "Pela Paz, Soberania e Prosperidade dos Povos", são a luta pela Paz na Colômbia e na Venezuela, apoio aos Diálogos da Noruega e o fim do bloqueio econômico a Cuba.

Apesar do esvaziamento do Foro, o evento se tornou alvo recorrente dos bolsonaristas após a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. O deputado assinou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do Foro.

O filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, lembrou que o Partido dos Trabalhadores (PT), o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e a guerrilha marxista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fazem parte do Foro de São Paulo.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também dedicou usou o Twitter para falar sobre o evento de Caracas e afirmou que o fórum criado em 1990 por partidos de esquerda e centro-esquerda latino-americanos é formado por "marxistas instrumentalizando traficantes e vice-versa" e que as denúncias do site The Intercept Brasil contra a Lava-Jato "fazem parte de sua estratégia".

"Por mais que o Foro esteja um pouco esvaziado, tenho convicção que ele ainda tem um papel fundamental na divulgação e propagação do comunismo na América Latina. Trata-se de um grupo criminoso", disse ao Estado o deputado federal Felipe Barros (PSL-PR).

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o governo Bolsonaro usa o Foro como "contra-propaganda" bolsonarista para tentar criar fantasmas. "O Foro é muito mais uma troca de ideias do que uma articulação internacional que tenha peso", disse o deputado.

A primeira reunião do Foro de São Paulo aconteceu em 1990, no hotel Danúbio, em São Paulo, em um momento que esquerda tentava e encontrar um discurso unificado na América Latina após o fim da Guerra Fria.

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Estadão
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