RJ: termina reconstituição da morte de Juan em Nova Iguaçu
Após 15 horas de duração, terminou às 2h deste sábado a reconstituição da ação policial que terminou com a morte do menino Juan de Moraes, 11 anos, na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, no dia 20 de junho. Os quatro PMs envolvidos diretamente no incidente e outros três que estavam nas cercanias do beco onde ocorreram os disparos contra a vítima e seu irmão W., que também foi baleado, foram conduzidos ao local separadamente para dar suas versões do fato. Nenhum dos sete policiais militares - todos do 20º BPM (Mesquita) - nem peritos e policiais civis deram declarações ao fim dos trabalhos.
Uma moradora da favela Danon, vizinha de Juan, garantiu que foram os policiais militares que mataram o menino, em entrevista exibida na noite dessa sexta-feira, no Jornal Nacional. A criança teria sido assassinada logo depois de um suposto traficante, Igor de Souza Afonso, também ter sido morto.
"Primeiro eles mataram o bandido, logo após o 'Juanzinho' saiu correndo, eles mataram o Juan e correram atrás do irmão do Juan. O que aconteceu, eles mataram o Juan, esconderam debaixo do sofá e trinta minutos depois eles pegaram o Juan e jogaram dentro da viatura. No dia seguinte eles vieram e queimaram o sofá para não ter provas", afirmou a testemunha.
A polícia também investiga relatos de uma catadora de lixo do bairro Babi, em Belford Roxo. Ela disse ter visto quando PMs teriam jogado um corpo debaixo da ponte sobre o Rio Botas e, dias depois, terem voltado e colocado o corpo metros adiante, onde o menino foi localizado.
No início da noite desta sexta-feira, os quatro policiais militares envolvidos na ação chegaram ao local onde o crime teria acontecido para participar da reconstituição, que começou de manhã e só acabou às 2h da madrugada deste sábado. A alegação do advogado para a presença dos oficiais somente a noite é que os PMs não poderiam participar da reconstituição durante o dia, já que o incidente ocorreu à noite.
Ferido e encapuzado
Um das presenças mais importantes na reconstituição foi a W., também baleado no confronto. Ele chegou numa cadeira de rodas e andou pelo local com auxílio de muletas, devido aos ferimentos que sofreu no dia do crime. Preocupada com a segurança do rapaz, que foi incluído em programa de proteção à testemunha, a Polícia Civil pediu que ele usasse uma touca ninja durante toda a ação.
Outra testemunha também adotou o mesmo procedimento. O irmão de Juan não compareceu por estar muito abalado.
O trabalho mobilizou 50 policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da 56ª DP (Comendador Soares), além de peritos e das duas promotoras que acompanham o inquérito.
Jornalistas foram mantidos numa área reservada na rua Carmen Bittencourt, a 200 m do local da reconstituição. Outras três ruas próximas foram fechadas e só moradores tinham acesso.
Carros particulares dos policiais foram examinados
"Temos a questão da visibilidade que vai ser abordada", disse o delegado da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, Ricardo Barbosa. De manhã, as promotoras Júlia Jardim, do Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, e Adriana Lucas Medeiros, da 7ª Promotoria de Duque de Caxias, e o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, acompanharam o trabalho.
"Apenas observei parte, não todo o processo. É prematuro falar antes de sabermos o resultado. Mas vamos continuar com as investigações", afirmou o tenente-coronel.
Durante as investigações, a PM examinou não só as viaturas mas também os carros particulares dos quatro policiais. Pela análise de DNA do sangue coletado nas patrulhas, o material não foi compatível com o de Juan.
A decisão de analisar os veículos dos policiais foi tomada também porque o GPS das viaturas indicou que elas não foram levadas até o local onde o corpo do menino foi encontrado. O produto luminol não apontou vestígios de sangue nesses carros.
Locais demarcados e moradores ouvidos
A assessoria da Polícia Civil informou que a primeira etapa do trabalho de reconstituição do caso da morte do menino Juan Moraes começou oficialmente às 10h57. Os agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) demarcaram os locais por onde as vítimas e os PMs do 20º Batalhão (Mesquita) teriam passado na comunidade.
Na etapa inicial, testemunhas foram ouvidas e, somente durante a noite, é que a reconstituição propriamente dita será realizada. Juan, o irmão Wesley e um outro rapaz, Wanderson, foram baleados durante uma troca de tiros entre PMs e traficantes. O corpo de Juan foi encontrado 11 dias depois em um rio na divisa dos municípios de Nova Iguaçu e Belford Roxo.
Durante o trabalho dos policiais, apenas alguns moradores conseguiram passar pelos bloqueios montados nos acessos da Favela do Danon. Dez viaturas da DH da Baixada, Core e 56ª DP (Comendador Soares) prestam auxílio.
Além de autoridades como o corregedor da Polícia Militar, coronel Ronaldo Menezes, participam da reconstituição as promotoras Julia Jardim, da 1ª Promotoria de Justiça da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, e Adriana Medeiros, do núcleo de Duque de Caxias e que atua com as delegacias especializadas como a DH da Biaxada.
Faixas de apoio na Praia de Copacabana
Em Copacabana, a ONG Rio Pela Paz colocou faixas em apoio a família do menino Juan na areia, altura da Avenida Princesa Isabel. A homenagem ficará no local até o início da tarde desta sexta-feira.