RJ: clima era descontraído antes do tiroteio que matou cinegrafista
- Luís Bulcão
- Mônica Garcia
- Direto do Rio de Janeiro
O clima entre os colegas da imprensa que acompanhavam a operação da Polícia Militar na favela de Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro, no domingo, era de descontração. De acordo com o cinegrafista da TV Globo Allex Neder, ele e Gelson Domingos brincavam momentos antes de ficarem na mira de traficantes.
O jornalista disse que era uma operação como aquelas que todos ali estavam acostumados a cobrir. Neder viu o momento em que Gelson foi atingido, mas ninguém pode ir até ele pois as balas continuavam vindo em sua direção. "É a pior sensação do mundo, ter um amigo baleado, caído e não poder fazer nada."
Segundo Allex Neder, quando as equipes chegaram já havia troca de tiros, mas a polícia informou que a favela estava ocupada e a imprensa começou a entrar com o Batalhão de Choque. "Infelizmente entramos em uma rua em que os bandidos estavam encurralados."
O coordenador de comunicação da Polícia Militar, coronel Frederico Caldas, disse que a "PM não tem autoridade para aprovar ou não a entrada da imprensa" em um local. Segundo ele, a informação de que havia traficantes na favela, que desencadeou a operação, partiu do setor de inteligência do Batalhão de Choque.
O âncora do Jornal da Band, Ricardo Broechat, compareceu ao sepultamento e contestou a informação da PM. "Quem é o fio condutor dessas situações é a PM , ela é que determina quando os repórteres e cinegrafistas podem entrar numa ação, eles é que delimitam as áreas de cobertura no momento da ação."
"Hoje a margem de risco de jornalistas que estão em campo cobrindo ações policiais, principalmente no Rio, é de um risco elevadíssimo. Essa estatística, que milagrosamente não é alta, tende a crescer muito. Infelizmente não podemos deixar de cobrir a realidade, não temos como ignorar o que está acontecendo nas ruas. Nós jornalistas mostramos o que está acontecendo dentro e fora dessas comunidades", completou.
Gelson Domingos deixou três filhos e dois netos. O corpo foi sepultado nesta segunda-feira, por volta das 14h, no Memorial do Carmo.