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Polícia

Rio: em meio a tiroteio, bombeiros resgatam vítima de incêndio

27 nov 2010 - 17h39
(atualizado às 18h58)
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Luís Bulcão Pinheiro
Vagner Magalhães
Direto do Rio de Janeiro

Durante um intenso tiroteio na favela da Grota, os bombeiros entraram na linha de fogo dos traficantes para fazer um resgate. Uma confecção e um bar que ficam no mesmo imóvel pegavam fogo no local. Moradores desceram de suas casas, arrombaram as portas do bar e tiraram de lá Antônio Bandeira.

O bar e a confecção são interligados e o incêndio teria começado em uma fritadeira e se alastrado pelos produtos da confecção, mas a polícia não descarta que um tiro teria sido a causa do fogo. Os bombeiros pararam duas ambulâncias no acesso à favela, onde os traficantes atiravam. Eles realizaram o resgate e, por volta das 18h, tentavam conter as chamas.

A região é uma das entradas do conjunto de favelas e fica próxima da rua onde o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Mário Sérgio Duarte, ordenou que os traficantes que estão no complexo do Alemão se entreguem.

"Quem quiser se entregar, faça-o agora", disse, complementando que a entrada da policia pode acontecer a qualquer momento. "Estamos do lado de fora por pouco tempo. Levantem suas armas. Estamos esperando na Rua Joaquim de Queiróz. Depois que a polícia entrar, a situação ficará muito mais difícil", avisou ele, em entrevista coletiva no 22º BPM (Maré).

A polícia preparou um trailer da corporação para servir de base no atendimento dos criminosos que se entregarem. O coordenador do AfroReggae, José Junior, informou que traficantes do complexo do Alemão começam a se render espontaneamente e se dirigem, sem armas, à rua Joaquim Queiroz, na Penha, local escolhido pela PM para a rendição dos traficantes.

José Júnior e mais cinco integrantes do grupo entraram na manhã deste sábado no complexo do Alemão. Os seis usavam coletes a prova de balas e não falaram com a imprensa. Vinte minutos depois, José Júnior surgiu novamente, sendo muito aplaudido pelos moradores na saída da comunidade. Na ocasião, ele não comentou os motivos de sua visita.

Após o ultimato, um homem se entregou na tarde deste sábado. De acordo com o delegado Luiz Henrique Ferreira, da 6ª DP (Cidade Nova), o homem conhecido como Mr. M seria o segurança do traficante Pezão, um dos chefes do tráfico no Alemão. Ele teria se entregado com o apoio da mãe. Mr. M seria um dos assassinos do ex-chefe do Alemão, Tota. A suspeita é de que a ordem teria partido do traficante Marcinho VP.

Segurança de FB é preso
O chefe da segurança de Fabiano Atanázio, o FB, foi preso, neste sábado, por policiais da 22ª DP (Penha). Contra Edson Souza Barreto, o Piloto, 49 anos, está expedido um mandado de prisão pela 39ª Vara Criminal, por tráfico de drogas de um flagrante em 2006, por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), atual Delegacia de Combate às Drogas (DCOD).

De acordo com os policiais, o traficante estava no meio dos moradores da Vila Cruzeiro levantando uma bandeira branca, indo em direção a uma Kombi, quando foi surpreendido. O preso está na sede da unidade, na Avenida Lobo Junior, 750, na Penha.

Desde o início dos ataques, no último domingo, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro.

Violência

Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de então, os ataques se multiplicaram.

Na segunda-feira, cartas divulgadas pela imprensa levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado. Na terça, a polícia anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.

Na quarta-feira, com o policiamento reforçado e as operações nas favelas, 15 pessoas morreram em confronto com os agentes de segurança, 31 foram presas e dois policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se feriram, no dia mais violento até então. Entre as vítimas dos confrontos, está uma adolescente de 14 anos, que morreu após ser baleada nas costas. Além disso, 15 carros, duas vans, sete ônibus e um caminhão foram queimados no Estado.

Ainda na quarta-feira, o governo do Estado transferiu oito presidiários do Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Eles são acusados de liderar a onda de ataques. Outra medida para tentar conter a violência foi anunciada pelo Ministério da Defesa: o Rio terá o apoio logístico da Marinha para reforçar as ações de combate aos criminosos. Até quarta-feira, 23 pessoas foram mortas, 159 foram presas ou detidas e 37 veículos foram incendiados no Estado

Na quinta-feira, a polícia confirmou que nove pessoas morreram em confronto na favela de Jacaré, zona norte do Rio. Durante o dia, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na maior operação desde o começo dos atentados. Os agentes contaram com o apoio de blindados fornecidos pela Marinha. Quinze pessoas foram presas ao longo do dia e 35 veículos, incendiados.

Durante a noite, 13 presidiários que estavam na Penitenciária de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná, foram transferidos para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia. Entre eles, Marcinho VP e Elias Maluco, considerados, pelo setor de inteligência da Secretaria Estadual de Segurança, diretamente ligados aos atos de violência ocorridos nos últimos dias. Também à noite, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, assinou autorização para que 800 homens do Exército sejam enviados para garantir a proteção das áreas ocupadas pelas polícias. Além disso, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou que a Polícia Federal vai se integrar às operações.

Na sexta-feira, a força-tarefa que combate a onda de ataques ganhou o reforço de 1,1 mil homens da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército e da Polícia Federal, que auxiliaram no confronto com traficantes no Complexo do Alemão e na vila Cruzeiro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a polícia permanecerá nas favelas por tempo indeterminado. A troca de tiros entre policias e bandidos no Complexo do Alemão matou o traficante Thiago Ferreira Farias, conhecido como Thiaguinho G3. Uma mulher de 61 anos foi atingida pelo tiroteio na favela e resgatada por um carro blindado da polícia. Foram registrados quatro mortos e dois feridos ao longo do dia. Um fotógrafo da agência Reuters foi baleado no ombro e hospitalizado.

Na parte da noite, o Departamento de Segurança Nacional (Depen) confirmou a transferência de 10 apenados do Rio de Janeiro para o presídio federal de Catanduvas (PR). Também à noite, a Justiça decretou a prisão de três advogados do traficante Marcinho VP e a Polícia Civil anunciou a prisão de sua mulher por lavagem de dinheiro.

Com informações do JB Online.
Fonte: Redação Terra
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