Operação mira agência do Rio acusada de não entregar pacotes de viagens; alvo responde a 600 processos na Justiça
Clientes disseram que adquiriram pacotes com hospedagem e ingresso para jogos de futebol no exterior, mas não conseguiram ver partidas
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta segunda-feira, 18, uma operação contra a empresa de turismo Outsider Tours, que teria envolvimento em um esquema criminoso de fraudes envolvendo pacotes de viagens internacionais. Segundo a instituição, nove mandados de busca e apreensão são cumpridos no Centro do Rio, Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, Leblon, Zona Sul e na Ilha do Governador. A defesa do representante legal da empresa disse que reafirma "o compromisso com a legalidade e com a transparência empresarial".
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Realizada por policiais da Delegacia do Consumidor (Decon), a Operação Cartão Vermelho é feita com base em investigações que apontam que os envolvidos comercializavam pacotes turísticos com passagens aéreas, hospedagens e ingressos para partidas de futebol no exterior, mas não entregavam os serviços contratados pelas vítimas.
Diversos consumidores procuraram a especializada para denunciar os golpes. Segundo os relatos, após realizarem os pagamentos, as vítimas não recebiam os benefícios prometidos ou enfrentavam problemas relacionados às viagens adquiridas. As apurações também identificaram registros semelhantes em outras delegacias.
Ainda de acordo com a investigação, um dos alvos da ação é o representante legal da Outsider Tours, Fernando Sampaio de Souza e Silva, que possui 600 processos em diferentes estados do país e foi preso recentemente em Santa Catarina. Em abril deste ano, Fernando foi solto após uma decisão da Justiça do Pará.
Após um trabalho de inteligência e monitoramento, os agentes da Decon iniciaram a operação desta segunda-feira para identificar todos os envolvidos e reunir novos elementos que auxiliem no avanço das investigações.
Em uma rede social, a defesa técnica de Fernando Sampaio esclareceu que recebeu "com serenidade as medidas recentemente cumpridas" no âmbito da operação. Assinada pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, o nota diz que, "desde o primeiro momento, Fernando colocou-se integralmente à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a legalidade, com a transparência empresarial e com o devido funcionamento das instituições".
"É importante destacar que, até o presente momento, não há qualquer decisão judicial condenatória, tampouco reconhecimento formal de responsabilidade penal. A investigação encontra-se em fase inicial, razão pela qual a defesa considera indispensável cautela na divulgação de informações e absoluto respeito às garantias constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa", segue o texto.
A defesa ressaltou não compactuar com "prejulgamentos ou conclusões antecipadas baseadas exclusivamente em narrativas investigativas unilaterais, sobretudo em procedimentos ainda em curso e sob sigilo parcial" e disse que, após análise integral dos autos e dos elementos efetivamente produzidos na investigação, adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para o esclarecimento dos fatos e para a preservação "dos direitos e da imagem de Fernando Sampaio".
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