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Polícia

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Operação da PF apura irregularidades em emendas Pix de ministro do TCU e parlamentares

A investigação teve início após auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União por determinação do STF

3 jul 2026 - 11h52
(atualizado às 13h52)
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Operação Acesso Negado contra desvio em emendas
Operação Acesso Negado contra desvio em emendas
Foto: PF/Reprodução / Estadão

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Acesso Negado, para investigar supostas irregularidades no repasse de emendas parlamentares na modalidade transferência especial, mais conhecidas como emendas Pix, para dois municípios de Roraima: Iracema e São Luiz do Anauá.

As emendas somam cerca de R$ 90 milhões e foram apresentadas pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, quando ele era deputado federal, pelo deputado federal Antonio Nicoletti (PL-RR), pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), que também era deputado federal, e pelo ex-senador Telmário Mota. Os ministros e políticos não são alvos da operação.

Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados em Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins. A investigação teve início após auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União por determinação do STF. Em setembro do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de repasses relativos a emendas auditadas que apresentaram indícios de crimes.

O Estadão busca as defesas para que se manifestem. O espaço está aberto.

Dinheiro que 'sumiu', casas não entregues e van da saúde para evento de igreja

Em 2025, a CGU identificou uma série de irregularidades envolvendo a execução de emendas Pix nos dois municípios de Roraima. Em Iracema (RR), o município movimentou emendas indicadas por Jhonatan de Jesus na mesma conta bancária de outras emendas, o que é proibido e dificulta o controle sobre o que foi gasto.

O Estadão foi até Iracema e identificou outros problemas. Em janeiro, a reportagem revelou que Jhonatan de Jesus indicou R$ 42 milhões em emendas para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados.

A maior parte das emendas "sumiu" sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro. O ministro e o pai, ex-senador e atual conselheiro do Tribunal de Contas de Roraima Mecias de Jesus, enviaram R$ 13 milhões para a construção de 300 casas populares, mas só uma foi erguida e ainda ficou abandonada.

Em outro caso investigado pela CGU em Iracema, a controladoria apontou evidências que uma van destinada ao transporte de profissionais de saúde estava sendo usada para fins particulares. A emenda foi do ex-senador Telmário Mota.

A equipe de auditoria encontrou uma placa de autorização para um evento de uma igreja evangélica no para-brisa do veículo. No porta-objetos, tinha uma lista de frequência para o "Curso Preparatório de Oleiros" do Instituto Assembleiano de Educação e Pesquisa. A van não estava com a plotagem institucional exigida para uso público.

Segundo a Polícia Federal, a operação envolve suspeitas de fraude em licitações e contratos administrativos, crimes contra a administração pública, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. A polícia apreendeu aproximadamente R$ 230 mil em espécie durante a operação.

Os dois municípios de Roraima estão entre das dez cidades brasileiras que receberam os maiores valores em emendas Pix entre 2020 e 2024. São Luiz do Anauá recebeu cerca de R$ 89,4 milhões, com planos de trabalho "sem objeto definido e sem metas claras", conforme relatou a CGU.

No quesito eficiência na aquisição de bens e execução de serviços, o órgão identificou "obras paralisadas, com prazo de vigência exaurido." O município tem 6.134 eleitores e é o menos extenso do Estado, segundo informações do TRE-RR.

Em Iracema, que recebeu cerca de R$ 55,7 milhões, a aplicação dos recursos foi realizada fora das especificações técnicas, segundo consta na decisão de Dino que determinou a suspensão dos repasses.

A auditoria do CGU apontou ao STF que "em 9 dos 10 municípios auditados, constatou-se a ineficiência e inefetividade na aquisição de bens e na execução dos serviços, incluindo indicativo de superfaturamento, de desvio de recursos, de favorecimento de empresas e ausência de comprovação da aquisição de bens, gerando não conformidades que impactaram significativamente na entrega dos objetos originalmente acordados."

Além disso, "dos 10 entes federativos auditados, 9 não atenderam às exigências de transparência e rastreabilidade estabelecidas nos dispositivos legais aplicáveis." Na época, a PF também foi notificada dessas conclusões por determinação de Dino, para que pudesse abrir novos inquéritos ou complementar investigações em curso.

Estadão
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