Erro no brasão do Brasil e autoproclamação como presidente: entenda as três versões da carta de Flávio Bolsonaro enviadas dos EUA
Documento divulgado por aliados do senador nos Estados Unidos passou por edições após incluir símbolo da República Velha e alegações sem provas de fraude eleitoral
Após fugir para os EUA com passaporte italiano e descumprir ordem do STF, o senador derrotado Flávio Bolsonaro divulgou três versões de uma carta com teor golpista à comunidade internacional. O manifesto inicial causou polêmica por exibir um brasão histórico incorreto e trazer alegações sem provas de fraude eleitoral, nas quais chegou a se autoproclamar presidente e, depois, líder do país. Do exterior e com apoio de líderes conservadores, ele prometeu coordenar a oposição ao governo eleito.
O entorno do senador derrotado Flávio Bolsonaro protagonizou uma série de recuos ao divulgar, em menos de uma hora, três versões diferentes de uma carta de Flávio Bolsonaro com teor golpista direcionada à comunidade internacional, segundo o jornal O Globo. O manifesto foi originalmente compartilhado pelo aliado Paulo Figueiredo diretamente dos Estados Unidos, para onde o congressista viajou após ser superado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira versão enviada à imprensa cometeu um gafe ao ostentar o brasão oficial utilizado no período da Proclamação da República com a grafia "Estados Unidos do Brazil", símbolo que acabou substituído pela ditadura militar em 1968.
Mutações no texto e acusações sem provas de fraude eleitoral
Diante da repercussão do erro visual, o documento passou por revisões rápidas em suas redes sociais antes da consolidação da versão definitiva. No segundo texto publicado em seu perfil oficial na plataforma X, o parlamentar chegou a se autodeclarar o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", alegando ter presenciado irregularidades no pleito vencido pela chapa petista por uma margem de 4,4 milhões de votos. Horas depois, uma terceira edição alterou o tom do cabeçalho para rotulá-lo como "líder do Brasil", mantendo ataques sem provas contra decisões do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a respeito do horário de votação em seções específicas.
Agradecimento a aliados globais e a rota internacional da fuga
No manifesto, o bolsonarista agradeceu o acolhimento oferecido pelos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, prometendo estruturar a oposição ao governo federal diretamente de solo norte-americano. As revelações sobre o documento coincidiram com a confirmação do itinerário de fuga utilizado pelo senador para deixar o território nacional. Segundo dados da fiscalização da Ponte Internacional Tancredo Neves, o parlamentar utilizou um passaporte italiano para ingressar na cidade de Puerto Iguazú, embarcando em um jatinho particular rumo a Guayaquil, no Equador, antes de aterrisar no aeroporto executivo de Opa Locka, na região de Miami.
A fuga internacional ocorreu em descumprimento às medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A pedido da Polícia Federal, a Corte havia determinado a apreensão e o cancelamento de seus documentos de viagem devido aos riscos de evasão no âmbito das investigações criminais em curso. Como o congressista ignorou a ordem judicial e não entregou os passaportes às autoridades brasileiras dentro do prazo estipulado, a corporação federal deu segmento aos procedimentos formais de apuração e responsabilização jurídica.
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