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Denarc nega uso de bala de borracha e diz que ação foi 'certíssima'

Para ela, a ação foi dentro da legalidade e o trabalho do Denarc vai continuar onde houver tráfico

23 jan 2014
20h40
atualizado em 24/1/2014 às 08h28
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A diretora do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), Elaine Biasoli, classificou como "certíssima" a ação de policiais no combate ao tráfico de drogas na tarde desta quinta-feira na Cracolândia, região central de São Paulo. De acordo com a delegada, quatro suspeitos de tráfico foram presos em flagrante, em um grupo de pelo menos 30 detidos.

Policial do Denarc exibe marcas de agressões que diz ter recebido de usuários da Cracolândia durante ação para prisão de traficantes
Policial do Denarc exibe marcas de agressões que diz ter recebido de usuários da Cracolândia durante ação para prisão de traficantes
Foto: Janaina Garcia / Terra

A policial negou que o efetivo do Denarc tenha utilizado balas de borracha durante a ação, ao contrário do afirmado no local por moradores e usuários de crack. Ela também rechaçou a hipótese de que a Prefeitura de São Paulo deveria ter sido avisada das abordagens - desde a semana passada, está em andamento na Cracolândia o programa municipal Braços Abertos, que prevê o convencimento dos usuários de drogas a integrarem programas da prefeitura na tentativa de que elas abandonem o vício e se reintegrem, mediante trabalho e remuneração, à sociedade.

"O trabalho do Denarc vai continuar onde houver tráfico. E não só na Cracolândia, mas em todas as regiões. A ação foi dentro da legalidade", disse a delegada. Indagada sobre suposta desproporcionalidade na ação repressiva da polícia, conforme alegado pela prefeitura, a policial definiu: "A ação foi certíssima. Queremos acabar com o tráfico na Cracolândia até para preservar a família dos dependentes. Porque quem alimenta essa pessoa? O traficante", declarou.

A delegada afirmou que durante a ação foram utilizadas apenas armas contra motins, sem munição. O uso, segundo ela, foi necessário porque policiais teriam sido ferido a pauladas e pontapés, além de três viaturas que ficaram danificadas.

Pelos números do Denarc, entre 1º de dezembro do ano passado e o dia 20 deste mês, 65 suspeitos de tráfico foram presos na Cracolândia.

"Não conheço a fundo o programa (Braços Abertos) da Prefeitura, deve ser social. O meu trabalho é policial", definiu a chefe do Denarc. "E nosso trabalho vai continuar onde houver tráfico --essa é a parte social da polícia, porque a gente tem dó do dependente", defendeu. "Não é fácil para o cidadão ter um dependente químico na família", concluiu.

"Acham que é tudo coitadinho?", ironiza funcionária do Denarc

Durante a entrevista coletiva concedida pela delegada na sede do Denarc, no Bom Retiro (centro de SP), a reportagem do Terra ouviu quando duas funcionárias do órgão hostilizavam, a distância segura da chefe, jornalistas que perguntavam sobre a ação da polícia na Cracolândia. Uma delas chegou a sugerir: "Eles (jornalistas) acham que usuário e traficante são todos coitadinhos. Tinham que levar um tiro de um desses para ver".

Questionada sobre o teor das declarações, a delegada --que é mãe de um jornalista, enfatizou -- as repudiou: "Vou tomar providências. Isso não se diz sobre ninguém."

Prefeitura repudia ação
Por meio de nota, a Prefeitura de São Paulo se disse surpreendida com a ação e repudiou a ação da polícia. De acordo com, a nota, esse tipo de postura pode comprometer a continuidade do programa Braços Abertos.

Em um trecho do documento, a administração municipal disse que a prisão de traficantes deve ser feita sem o uso desproporcional da força. "A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A Operação de Braços Abertos é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força."

A nota informa que agentes da prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. "A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado."

Fonte: Terra
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