PF faz operação contra policiais civis do Rio suspeitos de extorquir traficantes do CV
Investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários
A Polícia Federal realiza, na manhã desta terça-feira, 10, a segunda fase da Operação Anomalia. Dessa vez, policiais civis do Rio de Janeiro são alvos de quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão. Eles são suspeitos de usar a estrutura do Estado para extorquir traficantes do Comando Vermelho (CV), maior facção criminosa presente no território fluminense, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.
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Além das prisões e buscas, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.
As apurações revelaram que o esquema era liderado por uma autoridade policial – titular de uma delegacia da capital – e por outro policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício.
A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.
A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos. Para promover a ocultação e dissimulação do capital sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635. Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.
