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Polícia

Delegado: reviravolta em 15 min culminou na morte de Eloá

14 fev 2012 - 20h33
(atualizado às 21h27)
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Marina Novaes
Vagner Magalhães
Direto de Santo André

O delegado da Polícia Civil Sérgio Luditza, do 6º Distrito Policial de Santo André, no ABC Paulista, afirmou nesta terça-feira que uma "reviravolta" nas negociações acarretou a morte de Eloá Pimentel, 15 anos, em outubro de 2008. De acordo com o delegado, que acompanhou o caso na época, em outubro de 2008, "tudo caminhava para a soltura das reféns" Eloá e Nayara Rodrigues, mas uma "reviravolta" que durou entre "15 minutos a meia hora" culminou nos tiros contra as reféns - Eloá não resistiu aos ferimentos, e Nayara sobreviveu.

Jornalistas e curiosos aguardam para entrar no prédio do fórum
Jornalistas e curiosos aguardam para entrar no prédio do fórum
Foto: Mauro Horita / Terra

"Houve uma negociação, e tudo estava caminhando para a soltura das reféns. Tudo da forma mais tranquila. (...) Aí, em questão de 15 minutos, meia hora, a coisa mudou de figura", afirmou. Para o delegado, a "reviravolta" ocorreu no momento em que os PMs do Gate ouviram Lindemberg (Alves Fernandes) dizer que havia "um anjinho e um capetinha" falando com ele. "E o capetinha está vencendo", teria dito o réu. Após essa declaração, o Gate invadiu o apartamento e Lindemberg atirou contra as reféns.

Luditza negou que Lindemberg tenha sido agredido por policiais militares ao ser preso logo após atirar em Eloá Pimentel. "Não (foi agredido). E penso que ele também não foi agredido fora (da delegacia). Ele apenas foi contido pela Polícia Militar", afirmou, durante depoimento no segundo dia do julgamento da morte da estudante, baleada após ficar 101 horas em cárcere privado com o réu.

O delegado falou por cerca de 30 minutos, pouco antes do início do depoimento do PM do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) Adriano Giovanini. Questionado pela defesa, o delegado afirmou desconhecer uma investigação que, segundo a advogada Ana Lúcia Assad, corre na corregedoria da PM para investigar 14 agressões supostamente cometidas contra Lindemberg.

Além de Luditza e Giovanini, prestaram depoimento hoje os dois irmãos de Eloá, Douglas e Ronickson; os peritos criminais Hélio Rodrigues Ramacciotti e Dairse Aparecida Pereira Lopes, da Polícia Civil. A mãe de Eloá havia sido convocada pela defesa, mas foi dispensada e não precisou depor.

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Fonte: Especial para Terra
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